Inês Castel-Branco e Custódia Gallego

Inês Castel-Branco e Custódia Gallego. Foto: Raquel Henriques

Petra, uma estilista no auge da sua carreira, é uma mulher que passa de dominante a dominada, quando se apaixona por uma jovem modelo chamada Karin.

“As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, uma adaptação do filme de Reiner Werner Fassbinder que estreou esta terça-feira na ACE – Teatro do Bolhão, é ”uma história de amor, de masoquismo, de relações claustrofóbicas, de desespero, sempre no feminino”, descreve o encenador António Ferreira, na nota de imprensa do espectáculo.

O espectáculo faz parte da programação oficial do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) e conta com um elenco de luxo, do qual fazem parte Custódia Gallego e Inês Castel-Branco.

Em 40 anos – o filme é do início dos anos 70 –, Custódia Gallego, que encarna Petra Von Kant, considera que “a grande diferença, e que se calhar não é assim tão grande, é a relação que a sociedade tem com a marginalização daquilo que é diferente como, por exemplo, as relações homossexuais”. “A tendência da nossa sociedade marginalizar o que é diferente já não é tão grande”, afirma.

Contudo, a actriz continua a acreditar no lado “provocador” desta peça. “É provocador, provavelmente já não é tão chocante. Provocador no sentido em que fará as pessoas pensarem que ainda hoje o diferente não é visto confortavelmente”, acrescenta.

A exerção do poder

Inês Castel-Branco interpreta Karin, a jovem modelo pelo qual Petra se apaixona. “Tenho uma relação especial no sentido em que é uma personagem que eu já vi e é engraçado de personificar no sentido em que posso fazer uma crítica naquilo que vi neste género de raparigas”, afirma, em declarações ao P24, a actriz.

Para Inês, existe uma “grande troca de poderes ao longo do espectáculo” e o objectivo fundamental é levar o espectador a ponderar sobre o tal exercício “do poder e o que é que isso faz às pessoas e às relações humanas, muito mais do que o tema da homossexualidade”.

Texto que não está escrito

Entre dominadas e dominantes, está Marlene, a assistente de Petra que vive consigo no seu ateliê. A personagem fica a cargo de Diana Costa e Silva que já tinha visto o filme há uns anos atrás e ficado “fascinada” com esta personagem. “Ela nunca falava, eu nunca sabia o que é que ela estava a sentir, era sempre um mistério”, afirma Diana.

“Desde que vi o filme sabia que era essa a linha que queria ter no meu trabalho: estar sempre presente, não chamar sempre a atenção – jogar entre o destacar-me e o recolher-me – e falar com o meu olhar e corpo rígido o texto que, no fundo, não tenho”, acrescenta.

Do elenco, também fazem parte Ana Padrão, Cláudia Carvalho e Isabel Ruth. Os figurinos ficaram a cargo de José António Tenente.

A peça está inserida na 35ª edição do FITEI e é uma parceria entre o Teatro Nacional D. Maria II e o Teatro do Bolhão. Encontra-se em cena, neste último, até 3 de Junho. Os espectáculos decorrem de terça a sábado, às 21h30 e o preço dos bilhetes é de 10 euros para o público em geral e 6 para estudantes.