Eduardo Souto de Moura

Eduardo Souto de Moura

A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) não esconde o orgulho: com a atribuição do Prémio Pritzker a Eduardo Souto de Moura, são já 2 os antigos estudantes e professores da FAUP a vencer o mais importante galardão da arquitectura (o outro é Siza Vieira, distinguido em 1992).

Souto de Moura já foi professor da FAUP e iniciou funções este ano lectivo como professor catedrático convidado. “É uma enorme honra ter o professor Souto Moura integrado no corpo docente”, diz ao P24 João Pedro Xavier, vice-director da FAUP. “Estamos felizes por ele. Tem uma obra que justifica plenamente”.

A notícia surgiu primeiro num site espanhol especializado em arquitectura. Docentes da FAUP telefonaram para o gabinete de Souto Moura (que se encontra no estrangeiro, em viagem) e a resposta foi: são “boatos”.

A certeza chegou ao final da tarde com o anúncio oficial, quando já poucos estudantes se encontravam na faculdade. Sem alunos, os festejos fizeram-se entre professores. “A Universidade do Porto já tem 2 Pritzker. É uma coisa extraordinária”, justifica João Pedro Xavier.

“Isto é a confirmação daquilo que é o ensino da escola de arquitectura do Porto“, refere o professor, que lembra que Fernando Távora foi mestre de Siza, que, por sua vez, se tornou mestre de Souto Moura. “Há uma linha de continuidade que vem confirmar a qualidade da arquitectura que se faz aqui”, conclui.

Em ano de celebração do seu centenário, a Universidade do Porto torna-se assim a primeira instituição de ensino superior a contar entre os seus quadros de professores e antigos estudantes com 2 premiados por um dos mais importantes galardões internacionais”, diz a UP em comunicado.

“Honra para a arquitectura portuguesa”

O presidente da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional do Norte (OASRN), José Fernando Gonçalves, congratulou-se com a decisão da Hyatt Foundation, responsável pelo prémio.

“A atribuição deste prémio, cujo estatuto se assemelha, no âmbito da arquitectura, ao Nobel, é, em primeiro lugar, o justo reconhecimento de um trabalho que vem a desenvolver há anos com enorme coerência, determinação e sensibilidade. É também uma honra para a arquitectura portuguesa que, depois do mesmo prémio atribuído ao arquitecto Álvaro Siza em 1992, um arquitecto português volte a integrar a lista que nos últimos trinta anos reúne os mais notáveis arquitectos mundiais”, diz José Fernando Gonçalves, em comunicado.