Quinta de Cidrô Alvarinho

O Quinta de Cidrô Alvarinho é feito no Douro. Foto: DR

O convite da Real Companhia Velha (RCV) era para a apresentação do vinho Evel branco 2011, “seguida de uma prova retrospectiva” das melhores colheitas de tinto Evel Grande Reserva, mas afinal havia algo mais. Provaram-se também 3 brancos Quinta de Cidrô, todos de 2011 – um Alvarinho (sim, um Alvarinho feito no Douro), um Sauvignon Blanc e um Gewürztraminer; os novíssimos Carvalhas branco e tinto, de 2010; e, por fim, como grand finale, o Carvalhas Memórias do Século XIX, um vinho do Porto Tawny raro que será lançado em Junho.

Os Evel, brancos e tintos, são vinhos clássicos e reputados. É a marca “mais antiga” entre os vinhos DOC Douro e goza de uma reputação sólida. “Tem a sua origem na Real Vinícola”, diz ao P24 o administrador Real Companhia Velha, Pedro Silva Reis. A Vinícola surgiu por volta de 1910, tem o seu nome ligado à demarcação da região do Dão e a maioria do seu capital viria a ser comprada pela Real Companhia velha, em 1963, “a uma família ligada ao Banco Fonsecas & Burnay, conta o mesmo responsável. O Evel (leve, ao contrário) competia directamente com o Porca de Murça, lançado pela RCV “em 1928″.

A última novidade da marca Evel, o branco 2011, “é um vinho que representa muito do que são as nossas vinhas”, resume o director de Enologia da Real Companhia Velha, Jorge Moreira. Diz o enólogo que, “após 2010, houve uma alteração do perfil” deste vinho. A casta Moscatel saiu de cena. Viosinho, Fernão Piores, Malvasia, Arinto e Vinhas Velhas são agora predominantes. “Também tem um pouquinho de Alvarinho”, refere. O resultado final é um vinho “mais sério e com mais boca”, um bom exemplo da modernidade dos vinhos brancos do Douro. O preço de venda ao público é de 4,2 euros por cada garrafa de 750ml.

O já referido Quinta do Cidrô Alvarinho 2011, com 12,5 graus, faz andar a prova. “Tentamos fazer a nossa interpretação do Alvarinho (casta emblemática dos chamados vinhos verdes) no Douro. Fizemos 20 mil garrafas”, resume Jorge Moreira. Este vinho chegou este mês ao mercado, com um preço de 7 euros.

Seguem-se os vinhos Quinta do Cidrô Sauvignon Blanc (7 euros), lançado pela primeira vez em 1997, e Gewürztraminer (10 euros). O primeiro é “muito vegetal” e tem um toque “tropical”, ao passo que o segundo, com 13 graus, carateriza-se por ser “muito expressivo e exuberante” – razão porque a casta reúne “grande simpatia” entre o universo feminino, em Portugal.

O Evel Grande Reserva tinto é uma “referência lançada em 1996 aquando da criação da Fine Wine Division da Companhia”, informa a empresa. Provaram-se 10 colheitas: 1996, 1997,1998, 1999, 2000, 2003, 2004, 2007 e 2008. Com este último (15 euros, aproximadamente), a designação Grande desapareceu, “sem que tivesse havido uma grande alteração ao padrão qualitativo”, segundo Pedro Silva Reis.

Os novíssimos Carvalhas

A referência Carvalhas, idealizada e criada para ser “o melhor da Real Companhia Velha”, o topo de gama desta empresa, é uma novidade. Haverá 2 Carvalhas DOC Douro, um branco e um tinto, e 2 vinhos do Porto, um Vintage e um Tawny – o já referido Memórias do Século XIX.

O Carvalhas branco 2010 pretende ser “um topo de gama feito castas nacionais”, aponta Jorge Moreira. Tem 4 graus e na sua composição estão presentes Vinhas Velhas, Viosinho e Gouveio. Vai para o mercado em Junho, a 18 euros por garrafa de 750 ml. Apresenta “boa acidez e boa frescura, mas com potência”.

O tinto (30 euros), tem origem em “vinhas com mais ou menos 80 anos”. É simplesmente um grande vinho! “É subtil, mas ao mesmo tempo ultra-potente. À mesa funciona muito bem”, considera o enólogo. A seu ver, também, “daqui a 20 anos este vinho vai estar muito melhor do que está agora”. Estarão disponíveis apenas cerca de 4.000 garrafas.

O Carvalhas tinto “é uma tentativa da Real Companhia Velha para ombrear com os 50 melhores vinhos do Douro”, explica, por seu lado, Pedro Silva Reis.