Sem dinheiro para mais, o Fazer a Festa 2012 é apenas “uma invocação”
O festival de teatro Fazer a Festa, que decorre anualmente no Porto, chega à sua 31.ª edição reduzido à apresentação de 3 peças, naquilo que o seu organizador José Leitão define como uma “invocação”.
“É uma invocação, um pedido aos deuses do teatro ou da cultura a ver se nos ajudam”, afirmou o director do festival, que admitiu que, este ano, a mostra só se realiza porque 2 companhias brasileiras – a Ocamorana e a Companhia Paulista de Reportório – se dispuseram a viajar até ao Porto, “a expensas suas, estadia e alimentação inclusive, através de apoios governamentais brasileiros e do estado de São Paulo”.
“Por incrível que pareça, este ano, pelo menos, houve diálogo com a autarquia”, diz o director do festival de teatro do Porto Fazer a Festa. Mas, “ironicamente”, essa abertura aconteceu “numa altura em que não há dinheiro para programar”, acrescenta José Leitão.
“Numa altura em que tudo está a cair, queríamos ver se não caíamos ou se, pelo menos, caíamos devagar, lutando, resistindo até onde pudermos resistir. Pelo menos, até ao 33.º festival, que é um número redondo, é idade em que Cristo morreu e nós estamos uns ‘cristos’ na cultura”, afirma José Leitão.
Na terça-feira, esta “invocação” tem um primeiro momento com a apresentação da peça “Ruptura – Um Processo Revolucionário”, pelos Ocamorana, no teatro Constantino Nery, em Matosinhos, pelas 21h30.
É uma peça que relembra o 25 de Abril, levando à cena, segundo o programa, “um retrato fiel dos dias que antecederam o processo democrático em Portugal, das guerras coloniais na África, das angústias dos soldados do exército português, que levaram a cabo a revolução, do quotidiano de pessoas comuns, que após 30 anos de ditadura tiveram de aprender a lidar com a liberdade, e da reinvenção de uma nação que teve de pavimentar os caminhos da democracia”.
Nos dias 2 a 4 e 7 de Maio, será a vez de o grupo organizador do festival, o Teatro Art’Imagem, apresentar no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, o seu espectáculo infantil, “A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”, a partir da obra de Luís Sepúlveda.
A Companhia Paulista de Reportório apresenta, a 5 de Maio, pelas 16h, também no mesmo auditório, “Gandhi, Um Líder Servidor”, peça sobre o famoso líder pacifista indiano que, segundo José Leitão, “está há 9 anos em cena em São Paulo”.











