Novo produtor do Douro lança vinhos “a oito mãos”

O Mãos Branco 2010 foi elogiado pelos melhores críticos de vinhos portugueses. Foto: DR
“Mãos” é a insígnia que 4 irmãos de Mesão Frio lançaram no final de 2011, depois de terem transformado uma fonte de rendimento secundária num verdadeiro negócio de família.
Formados nas áreas de gestão e vitivinicultura, Roberto, Ricardo, Rafael e Rudolfo Miranda, de 33, 28, 26 e 23 anos, respectivamente, são os rostos da R4.
Os primeiros vinhos deste novo produtor duriense são de 2010: Mãos Branco (7,5 euros), Mãos Tinto (10 euros) e Mãos Tinta Roriz (14 euros). Há 2 anos, os 4 irmãos arrancaram com uma produção de 16 mil garrafas. Em 2011, a produção aumentou 25%.
Antes, a família vendia a produção a grandes empresas – os pais, Teresinha Ribeiro e Eduardo Miranda, têm profissões fora do âmbito agrícola e a estratégia que adoptaram foi vender as produções às casas exportadoras e fazer pequenas produções para consumo local e a granel.
Os jovens produtores têm, actualmente, 150 hectares de vinha, distribuídos por 7 quintas nas 3 sub-regiões do Douro. Só no Baixo Corgo, têm 100 hectares de terroir.
A filosofia da R4 é fazer vinho nos melhores locais e com as melhores uvas – a vindima é manual e as uvas são seleccionadas na vinha e novamente na mesa de escolha.
“A empresa surge porque havia 22 hectares de família da parte da minha mãe”, contou Rafael Miranda ao P24, acrescentando que o avô materno começou por ter apenas 11 hectares.
Nos últimos 3 anos, evidenciou o engenheiro agrícola, com quem o P24 esteve à conversa na última edição da Essência do Vinho, a capacidade produtiva disparou.
Vinhos diferentes

O Mãos Tinta Roriz foi lançado numa garrafa típica dos vinhos verdes. Foto: DR
“As grandes casas dizem que não se fazem grandes vinhos no Baixo Corgo. Nós achamos que podemos fazer”, sustenta Rafael Miranda.
Com uma produção de 7 mil garrafas, o Mãos Tinto é um vinho feito com Touriga Nacional (50%) e Tinta Roriz (50%) e que ‘cheira’ a flores de laranjeira e, levemente, a amoras selvagens.
O Mãos Tinta Roriz é, como o nome indica, um vinho mono-casta. Feito a 600 metros de altitude, no Peso da Régua, é um vinho fresco, com boa acidez, e que ninguém diria ter um teor alcoólico de 15%.
O primeiro vinho branco da R4, da colheita de 2010, foi feito com 30% de Gouveio, 30% de Rabigato e 40% de Viosinho – “O que estamos a tentar fazer é pegar só em castas do Douro”, sublinha Rafael –; em 2011, o Mãos Branco já incorporou as castas Arinto (em vez de Rabigato) e Códega do Larinho.
O Branco 2011, o Branco Reserva 2010 e o Mãos Rosé são vinhos que a R4 lança este ano.
Os vinhos são assinados pela enóloga Joana Maçanita, mas no futuro a alquimia do Mãos e de futuras insígnias passará por Rafael e, sobretudo, pelo irmão Rudolfo, que, assim que terminar o curso em Engenharia Agrícola, irá para os EUA ou para a Austrália especializar-se em Enologia.
Vinhas nas 3 sub-regiões
O projecto arrancou nas propriedades de família, a Quinta de S. Tiago, na freguesia de Vila Marim, e da Quinta da Portela, na freguesia de Barqueiros, ambas no concelho de Mesão Frio.
Junto à primeira, os Miranda já têm a Quinta de S. Lourenço. E, em 2009, a R4 adquiriu a Quinta de Sequeirós, uma propriedade de 13 hectares em Loureiro, no Peso da Régua, que alberga a adega da empresa, equipada com novas infra-estruturas. “Somos os 4 jovens agricultores e os apoios que recebemos foram totalmente investidos”, explica Rafael Miranda.
No Cima Corgo, os irmãos – sempre com o apoio dos pais, os sócios silenciosos – compraram depois a Quinta d’ Além Tanha, um terreno com 25 hectares e vinhas velhas com cerca de 60 anos, em Vilarinho dos Freires (Peso da Régua).
Mais recentemente, juntaram ao seu portefólio a Quinta do Farfão, uma valiosa propriedade com 50 hectares no Douro Superior.
Em 2012, os irmãos Miranda vão assinar contrato de promessa de compra e venda para adquirir a Quinta de Travassos, que alugaram há ano e meio.
“Estamos interessados em comprar tudo o que esteja a confinar com as nossas quintas”, explica Rafael Miranda.












“Estamos interessados em comprar tudo o que esteja a confinar com as nossas quintas”, explica Rafael Miranda.
Este comentario a um jornal revela um pouco de ingenuidade pq sinaliza potenciais vendores e outros compradores ou intermediarios. Depois ai, ai,ai… ai, ai ai, que demora a recuperar o capital investido…
Big no-no, caro Rafael…
‘Ai estes jovens agricultores…
grouchomarx