Souto Moura, doutor “honoris causa” da Lusíada, agradece a Siza por tê-lo dispensado

Souto de Moura. Foto: Augusto Brázio
Eduardo Souto de Moura recebeu quinta-feira o doutoramento honoris causa pela Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada do Porto, tendo feito na sua autobiografia, “pouco científica”, várias referências a Siza Vieira e Mies Van der Rohe.
O Prémio Pritzker 2011 já tinha sido convidado há 2 anos pela Universidade Lusíada, mas a cerimónia teve que ser atrasada por questões de agenda do arquitecto.
Depois de todo o cerimonial característico da sessão solene de investidura como honoris causa – com a particularidade de ter recebido um exemplar de Os Lusíadas, de Luís de Camões, tradição da instituição nestas cerimónias – Eduardo Souto de Moura leu aquilo a que chamou “uma autobiografia pouco científica”.
O arquitecto Álvaro Siza Vieira, também ele honoris causa pela Universidade Lusíada, foi referido várias vezes por Souto de Moura, que recordou o episódio em que este o dispensou como colaborador – trabalho que desempenhou entre 1974 e 1979 -, com o argumento de que “não era o processo ideal” para se tornar um arquitecto. “Até nisso foi inteligente, senão ainda lá estava”, vaticinou.
Enquanto arquitecto independente, Souto de Moura recordou a missão que abraçou em “ajudar a reconstruir um país após 48 anos de ditadura”. Como relembrou: “Só para se ter uma ideia do que era necessário, tínhamos que fazer meio milhão de casas”.
Fez ainda várias referências ao arquitecto alemão, naturalizado depois pelos EUA, Mies Van der Rohe, conhecido pelo lema less is more [menos é mais].
A Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada do Porto propôs esta distinção a Souto de Moura considerando o seu “contributo para a afirmação e reconhecimento da arquitectura portuguesa, em Portugal e no mundo”.












partilhado!