Bataria da Vitória

A vista a partir do miradouro. Fotografia de George Tait, de 1888

A recente venda do imóvel e a privatização do espaço, até aqui público, que lhe está adjacente, situada na chamada “Bataria da Vitória”, ao fundo da Rua de S. Bento da Vitória e junto da Igreja Paroquial da freguesia, veio trazer a lume a polémica referente àquele espaço, que, mesmo desprezado pelos poderes públicos, é um dos mais privilegiados da nossa cidade.

Mas se pensam que a polémica é de hoje enganam-se. Em Setembro de 1908, no primeiro ano da revista “O Tripeiro”, um leitor dizia que o espaço em questão tinha sido vedado pela câmara a pedido do dono do imóvel em questão, pelo facto de aquele espaço ser utilizado para fins pouco recomendáveis…

O espaço está muito ligado à figura de D. Pedro IV (diz-se que, quando ali estava a observar as movimentações militares, quase apanhou com um tiro vindo de Vila Nova de Gaia). Pelo facto de o local ser estratégico, os Liberais colocaram ali uma bateria defensiva (é por isso que pode também ser chamada “Bateria da Vitória”).

Depois do fim do Cerco do Porto e do uso militar que aquele miradouro teve, foi arranjado pela câmara, mas o desleixo começou a campear e o local foi deixado ao abandono. A incúria das diversas vereações levou ao desprezo pelo espaço e a um abandono quase completo de um dos sítios mais aprazíveis da cidade.

Como curiosidade, o prédio do largo albergou a primeira casa bancária espanhola na cidade do Porto, a Casais & Filhos.

César Santos Silva é investigador e divulgador da História do Porto e de Portugal. Nesta colaboração com o Porto24, conta as histórias de algumas ruas do Porto.