Cooperativa Árvore

Foto: Cooperativa Árvore

A cooperativa artística Árvore, no Porto, que completa 50 anos em 2013, está a recuperar a totalidade das suas instalações, a que vai acrescentar uma zona de restauração, jardins requalificados e novas oficinas para multimédia e fotografia.

“Árvore XXI” é nome dado ao projecto, um investimento de 1,5 milhões de euros financiado em 70% pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) que, segundo o director, Rui Silvestre, é o maior investimento que a Árvore já fez na sua história.

É “um grande esforço que permite, ao fim de 50 anos, requalificar o edifício, preparando-o para os próximos 100“, diz.

Além das obras que decorrem até ao final do ano, está também em curso “a inventariação e a digitalização do acervo e não só das obras a comercializar, mas também aquilo que é o passado” da instituição, afirma Rui Silvestre, que regressou à Árvore depois de ter exercido o cargo de director do Museu Berardo, em Lisboa.

A ideia é que o acervo “esteja aberto a investigadores e a todos os interessados em saber o que foram estes últimos 50 anos em termos de obra gráfica e de produção cultural da Árvore, um período, entre os anos 60 e 90, em que está estreitamente ligada à história da cidade, do Norte e mesmo do país”.

Resistência

A Árvore surgiu em 1963, fundada por um grupo de artistas e de gentes da cultura em que se destacavam nomes como José Rodrigues, Armando Alves, Pulido Valente e Ângelo de Sousa, e ainda antes da instauração da democracia assumiu um papel de relevo na resistência cultural organizando exposições, colóquios e ciclos de cinema.

Já depois do 25 de Abril, em 1976, a sua sede, a antiga Casa dos Albuquerques, foi alvo de um atentado bombista e a cooperativa – apesar de ter vivido momentos de expansão como foram os da criação das escolas artísticas, que hoje são organismos completamente autónomos – também sofreu problemas financeiros que levaram mesmo, em 2006, a um leilão para pagar dívidas.

Desde essa altura, a cooperativa tem estabilizado o seu funcionamento como representante comercial dos seus sócios artistas (ao todo tem cerca de 1.400 sócios) e como produtora cultural para terceiros – o trabalho mais recente nesta área foi a organização de uma exposição do Museu Nacional de Arte Antiga no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

“Queremos um novo espaço que permita dar resposta ao futuro e ser um agente de ligação entre os produtores e o público consumidor das artes e da cultura, este é desde sempre o principal traço de distinção da Árvore”, sustentou Rui Silvestre, que prometeu que em Outubro “deverá abrir a principal novidade, um espaço de restauração, mas até lá vão abrindo gradualmente novas valências”.