A Árvore é um laboratório artístico em constante agitação

Foto: Cooperativa Árvore
As oficinas artísticas da Árvore, que estão a ser objecto de remodelação, foram “um eixo que sempre diferenciou” a cooperativa do Porto e em que o director, Rui Silvestre, quer inovar, no âmbito do projecto de requalificação das instalações.
Por estes dias, quem passar pela cooperativa portuense poderá já ver a loja e a sala maior de exposições recuperadas, podendo mesmo visitar uma exposição não comercial, “Pintura ou não?”, que reúne trabalhos de finalistas da Faculdade de Pintura de Belas Artes do Porto entre 1966-1973, que, com o apoio do professor Jorge Pinheiro, iam questionando a ideia tradicional da prática pictórica bidimensional.
Para Rui Silvestre, é uma “coincidência feliz” que esta exposição, que afinal apresenta muitos trabalhos feitos naquelas mesmas instalações e homenageia um professor que também era sócio da Árvore, apareça agora, mostrando o papel de relevo que tem tido uma instituição, quase a completar 50 anos, em 2013.
Mas uma exposição não comercial, nas palavras do seu director, “é um luxo” a que a cooperativa não se pode prestar muitas vezes até porque esta é uma instituição que “nunca teve apoios estatais” e trabalha com e para os seus cooperantes.
O melhor exemplo disso são as oficinas, que em contraste com o piso superior estão em agitação, provocada pela necessidade de retirar materiais e maquinaria das divisões que vão entrar em obras. O mesmo acontece com o jardim, que fazia parte da Quinta das Virtudes onde funcionava o horto municipal.
Mesmo na confusão provocada pelas obras, é possível ver um ceramista a procurar as melhores cores para um painel de azulejos que irá decorar uma torre sineira com o sermão de Santo António aos peixes, enquanto a colega encarregada da serigrafia arruma os fotolitos de serigrafias elaboradas por José Rodrigues.
Há oficinas de serigrafia, de gravura, de litografia e de cerâmica, espaços onde, com a ajuda de técnicos próprios, os artistas ou estudantes dos cursos abertos que continuam a decorrer na Árvore podem concretizar algumas das suas ideias e de onde saíram trabalhos de célebres nomes como Júlio Pomar, Fernando Lanhas, Graça Morais, Siza Vieira ou Ângelo de Sousa.
Em breve, graças às obras do projecto “Árvore XXI”, afirma Rui Silvestre, haverá “oficinas qualificadas de serigrafia, litografia, gravura, cerâmica, multimédia e fotografia e estas 2 últimas serão 2 novas oficinas que até ao final do ano estarão disponíveis”.
Só desta forma, perspectiva, se poderá cumprir o objectivo de captar “novos públicos, novos artistas e sobretudo cultivar uma grande proximidade às novas gerações criadoras”.











