TNSJ

Foto: João Tuna

Nos próximos 2 fins-de-semana, a Praça da Batalha, no Porto, vai ser palco da iniciativa “Portos”, uma espécie de porta de entrada no festival internacional de teatro “Odisseia”.

Entre os dias 15 e 17 e os dias 22 e 25 de Abril, há fado, música tradicional portuguesa, percussão e ritmos africanos, sonoridades ibéricas e a música popular brasileira.

“Portos” é, de acordo com o seu comissário, “uma pequena reflexão sobre a história da cristalização das músicas”, mas é também o primeiro toque visível de “Odisseia”, o projeto conjunto do Teatro Nacional São João (TNSJ), do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, do Theatro Circo, de Braga e do Teatro de Vila Real.

Para a praça que se estende em frente ao TNSJ, o criador e mentor do projecto, Hélder Moutinho, pensou um evento que apresentasse a boa música do mundo ligada à lusofonia.

“A partir do momento em que consideramos que todas as músicas urbanas são sempre fruto de uma série de influências musicais, podemos criar um encontro disso”, explicou, esta quarta-feira.

Assim, quem por ali passar, pela Batalha, poderá cruzar-se com a angolana Yami, com o “ibérico” Manuel D’Oliveira, com os portugueses Atlantihda, João Afonso, Ricardo Parreira e Amor Electro e com a cabo-verdiana Ritinha Lobo.

“Acho graça ao facto de ser ali, porque, no fundo, estamos a falar de uma música urbana e é importante ligar a sua cumplicidade também ao povo, fazer com que as pessoas venham a passar e tenham oportunidade de ouvir e de ver”, disse Hélder Moutinho.

“Portos” está, segundo o seu comissário, “aberto a todo o público, não só aos aficionados” da música do mundo.

“Nós sabemos que os fãs da world music vão estar presente. Além do público-alvo que obviamente vai estar, também vai estar o espontâneo, que vai aparecer e que vai ter oportunidade de ver e de se aperceber de coisas a que não está habituado, porque não é tão atento”, ressalvou.

Para Hélder Moutinho, o facto de um festival de teatro, que decorre entre 5 e 22 de Maio, ser antecedido por um ciclo musical não causa estranheza: “Há sempre uma ligação, porque a música não deixa de ser uma arte de palco. No teatro é sempre importante haver música, alguma coisa que seja, não muita”.

O comissário de “Portos” confessa que “gostaria muito” que a iniciativa se repetisse.

“Não é um ciclo que seja muito dispendioso. Todos os artistas foram altamente compreensivos em relação aos problemas que existem neste momento no país e perceberam as condições em que conseguimos fazer este festival e, portanto, penso que é fácil tentar pegar nisto e tentar fazer mais espetáculos para o ano, ou este ano”, concluiu.

O projeto “Odisseia” pretende envolver a comunidade teatral da região Norte na descoberta de mecanismos de diálogo entre a criação artística teatral e os processos políticos e sociais contemporâneos.