Luís Braga da Cruz e João Fernandes, na apresentação da programação de 2011. Foto: AIP

Em ano de crise e com o Fundo Monetário Internacional a pairar sobre a cabeça dos portugueses, a “grande preocupação” da Fundação de Serralves “foi não defraudar o público”, referiu Odete Patrício, directora-geral da instituição. Com a dotação do Estado ainda a ser negociada – Luís Braga da Cruz, presidente do conselho de administração da fundação explicou que “as negociações [com o Ministério da Cultura] estão bem encaminhadas” e que, “em breve”, haverá novidades –, o apoio dos mecenas da fundação e o acesso a fundos comunitários foram cruciais para desenhar o “programa ambicioso” que Serralves apresentou, esta quarta-feira.

A crise obriga a fundação a trabalhar com vários cenários e a ter “um programa flexível para se adaptar às contingências”. O orçamento com que Serralves espera poder trabalhar é de 9 milhões de euros.

Em 2011, há “uma aposta clara na colaboração internacional de Serralves com outros museus”, valorizando-se “as cooperações e co-produções”. Uma dessas co-produções é com o Whitney Museum of Contemporany Art, em Nova Iorque, em “Off the Wall” (Março). A exposição reúne 30 acções performativas de artistas, em trabalhos realizados desde 1946 até ao presente, assim como 7 obras icónicas de Trisha Brown.

A colecção do Whitney “é uma das maiores do mundo” e “vem à Europa pela primeira vez”, sublinhou o director do Museu de Arte Contemporânea (MAC), João Fernandes.

Braga da Cruz revelou que, em 2010, o número de visitantes chegou aos 450 mil visitantes, o que representou um crescimento de cerca de 12%. Desses, 70 mil foram estrangeiros, sendo este o segmento que mais cresceu (mais de 40%). A afluência às actividades do Serviço Educativo também aumentou, em 22%, para os 135 mil visitantes/ participantes.

A exposição de fotografia de Thomas Struth, “uma das mais completas apresentações da sua obra realizadas até ao momento”, é “uma importante co-produção internacional que já está em circulação na Europa” e chegará a Serralves em Outubro.

Ainda nas exposições, há três mostras de artistas portugueses em destaque: José Barrias (Abril), Leonor Antunes (Julho) e Eduardo Batarda (Novembro). Barrias, a residir em Itália, é “um aguardado regresso”, disse João Fernandes. Leonor Antunes foi a artista desafiada para desenvolver uma exposição para ocupar a Casa de Serralves no Verão. E Batarda, cuja obra “continua a ser uma das obras mais originais da arte contemporânea”, trará obras antigas e obras novas.

Em 2011, a Casa vai exibir obras da colecção

A partir deste ano, “a Casa vai estar sempre aberta com obras da colecção de Serralves”, anunciou Odete Patrício. A pensar nos turistas, que, “quanto vêm a Serralves, gostam de visitar a casa”, a fundação vai juntar o melhor de dois mundos, divulgando o imóvel mas também a sua colecção de arte contemporânea.

Nas artes performativas, destaque para a vinda de 2 importantes companhias de dança, de Trisha Brown (18 de Abril a 1 de Maio) e  Deborah Hay (4 de Junho a 3 de Julho). Esta última coreógrafa ministrará um workshop em Março.

“What’s the sound of the borders in Porto?” é o workshop que trará o colectivo multinacional de artistas sonoros Ultra-Red, que “trabalha as questões da fronteira dos EUA com o México, no Texas e no Arizona”, referiu João Fernandes.

O projecto “Rainbow Gathering” (20 de Fevereiro), de Marina Rosenfeld, compositora e artista sediada em Nova Iorque, que também vai ao MoMA em 2011, é outro destaque do programa deste ano em Serralves, assim como Sistema Tango (flamengo; 13 de Março) e a homenagem a John Cage pelo “grupo de ouro” formado por William Winant, Feed Frith, Mark Dresser e Sylvie Curvoiser (17 a 21 de Junho). “Será um dos momentos musicais do ano”, garante Fernandes.

O ciclo de cinema Arte, Política e Globalização, em articulação com a exposição “Às Artes, Cidadãos!” (patente até 13 de Março), apresenta a estreia de “Filme Socialismo”, filme de Jean-Luc Godard (6 de Março), e exibe ainda o filme “A Comuna”, de Peter Watkins (18 e 19 de Janeiro).

A 20ª edição do Jazz no Parque (Julho), o Serralves em Festa (“entre o final de Maio e a primeira semana de Junho”, avança Braga da Cruz) e o festival de artes performativas TRAMA (Outubro) ainda não estão fechados.

“Temos um programa que é a pièce de résistance e, depois, temos iniciativas que podem ser enriquecidas se tivermos mais verbas”, explicou Odete Patrício.

Não sendo programa cultural, a certificação ambiental da fundação é uma missão que arranca também este ano.