Nuno Rodrigues destaca alguns pontos fortes da programação

Se Vila do Conde está diferente, a culpa também é do Curtas Vila do Conde, orgulha-se Nuno Rodrigues, um dos directores do festival. Quando Vila do Conde foi distinguida nos prémios Novo Norte, no mês passado, pelo seu trabalho de regeneração urbana, foi introduzida como a “cidade das curtas”. O festival que cresceu com a cidade e que a fez crescer – a relação é recíproca – vai na 19ª edição. Arranca este sábado e só acaba dia 17.

O modelo do festival mantém-se praticamente inalterado. À competição internacional (com 34 curtas seleccionadas), junta-se a nacional (19 filmes) e a de filmes escolares, integrada na secção Take One!, apostada em divulgar novos talentos a germinar nas escolas. Haverá também sessões de filmes experimentais, uma competição de vídeos musicais e o Curtinhas, mini-festival dedicado aos mais jovens (com curtas da Pixar, este sábado às 15h30, e um filme-concerto em torno de “Fada Oriana”, de Sophia de Mello Breyner).
Quando o Curtas começou “não existia nenhum dos sítios” por onde passa hoje o festival, recorda Nuno Rodrigues ao P24. Era um festival que cabia inteiro no auditório municipal. Um festival diferente do actual, a começar pela dimensão (em 2010, apareceram 20 mil pessoas nos 3 pólos do Curtas), mas com uma missão praticamente inalterada: mostrar o melhor cinema do mundo em formato curta-metragem.

Antes da MTV e anti-MTV

Este ano, o Curtas aprofunda a sua velha relação com outras artes, com a música à cabeça, algo que distingue o festival “não apenas nacionalmente, mas também internacionalmente”, diz Nuno Rodrigues. Como? Com um vasto programa de sessões de cinema em que estas “contaminações” são férteis (de Spike Jonze a Harmony Korine) e filmes-concerto.

O primeiro filme-concerto é já este sábado, às 23h30, com Legendary Tigerman e Rita Redshoes numa actuação única que vai servir de banda sonora à nova longa-metragem de Rodrigo Areias, “Estrada de Palha“, o primeiro western português.

Em destaque no festival, estão também personalidades como Bruce Conner e Jem Cohen.

Antes da MTV havia Bruce Conner (1933-2008), “fotógrafo, pintor, cineasta”, mas que “nunca esteve muito preso a nenhuma destas áreas”, aponta Nuno Rodrigues. É para muitos considerado o criador do teledisco – trabalhou com artistas musicais como Brian Eno e Devo.

Nas margens dos anos 80, era de ouro do teledisco e da MTV, Jem Cohen fez um percurso inverso à tendência dominante: produziu videoclips que são, na verdade, “anticlips“, para gente como os R.E.M. e Cat Power.

O novo cinema romeno

Na sua missão de “dar a conhecer autores não muito conhecidos”, o Curtas propõe a descoberta da cinematografia de Corneliu Porumboiu, ponta-de-lança da nova vaga de cinema romeno que, para Nuno Rodrigues, “vai ser uma das figuras mais marcantes do cinema europeu”. O autor, que será alvo de uma retrospectiva, estará em Vila do Conde, segunda-feira.

O segundo autor em retrospectiva é o francês Pierre Clémenti. Há poucos anos foram descobertas bobines com filmes inéditos, “de carácter psicadélico”, que serão musicados ao vivo pelos Gala Drop (dia 14) e Arto Lindsay com Juan Miyake (dia 15).