A festa dos The Rapture no arranque do Primavera Sound
Pode o Parque da Cidade transformar-se numa pista de dança ao livre? Pode e foi isso que aconteceu no concerto dos The Rapture, o momento alto do dia inaugural do Primavera Sound, quinta-feira.
A banda de Nova Iorque, com um ainda fresco e muito elogiado novo disco para apresentar, foi o momento alto de um dia musicalmente morno, com menos propostas do que os que se seguem.
Se com os Rapture o velho dança-se como novo, com os Suede o mergulho no passado é total e para viver sem problemas de consciência. Regressados recentemente aos palcos, os ingleses, que conseguiram juntar muita gente a guardar lugar nas filas da frente ainda os The Drums tocavam no palco ao lado, alternaram entre temas menos conhecidos e clássicos da brit-pop, como “Beautiful Ones” e “Trash”. O público reagiu sem grande entusiasmo – apesar da competência (Brett Anderson continua com uma pinta de gentleman sexy inatacável), este já não é o mesmo tempo que viu os Suede nascer.
Antes dos Suede, os Drums mostraram as linhas simples, quase básicas, com que se cose a sua pop veraneante, potencialmente imune à chuva que ameaçava cair (o milagre do primeiro dia: ela só chegou depois do final dos concertos). Mas não deixaram grandes marcas, com excepção de “Let’s Go Surfing”, o maior sucesso dos americanos.
A placidez de Yann Tiersen casou bem com o fim de tarde, enquanto os Mercury Rev, já noite dentro, procuraram impor a sua pop de vistas largas, sonhadora e psicadélica q.b., mas ambos não provocaram especiais arroubos no povo do Primavera.
As canções de Atlas Sound (Bradford Cox), reproduzidas apenas com guitarra acústica e loops, ofereceram um pachorrento final de tarde, com tempo para Cox elogiar as ruas sinuosas do Porto que percorreu aquando da vinda dos seus Deerhunter ao bar Porto Rio, em 2006.











