Jogos de interesse em tempos de crise

"Histórias do Bosque de Viena" é o trabalho final do curso destes "actores". Foto: AIP
Os finalistas do curso de Teatro da Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo (ESMAE) estreiam, esta quarta-feira, a peça “Histórias do Bosque de Viena”, de Ödön von Horváth, no Teatro Helena Sá e Costa.
Nesta tragicomédia escrita em 1931, mas inteiramente actual, o dramaturgo húngaro faz o retrato impiedoso de uma Alemanha em crise imediatamente antes da chegada de Hitler ao poder e mostra como ser venal se tornou a regra.
“É um teatro popular, mas sofisticado, que tenta retratar a vida real das pessoas. Aquilo que determina os comportamentos nesta sociedade que Horváth retrata é o dinheiro, são os jogos de interesse, como hoje”, explicou ao P24 Fernando Mora Ramos, director do Teatro da Rainha, nas Caldas da Rainha, e encenador convidado pela ESMAE para dirigir este ano o trabalho final dos alunos do curso de Teatro.
A Mora Ramos, que já é repetente como convidado da ESMAE, coube também a escolha do texto. Tinha de ser uma peça que se adaptasse ao elenco. “Este ano, por acaso, são 15 alunos [em palco], ou seja, o grupo está mais ou menos equilibrado, mas não costuma ser assim. Já aqui encenei peças com 2 ou 3 rapazes, o resto eram raparigas”.
“Rapazes” e “raparigas”, porque a maioria está entre os 20 e os 25 anos. E esta é a última etapa da formação destes futuros artistas nas diferentes áreas do conhecimento teatral antes da chegada ao mercado de trabalho.
As personagens de “Histórias do Bosque de Viena” vivem “num país com sanções económicas graves”, explica a aluna e jovem intérprete Mariana Reis. E isso faz com que tentem sempre “arranjar esquemas, ganhar dinheiro sem trabalhar”, resume André Figueira, outro elemento do elenco da peça.
“Esta peça retrata que há coisas que nunca mudam. O contexto actual de crise mostra como é exacerbado o egoísmo das pessoas”, acrescenta Mariana. Na altura, diz André, eram “jogos de interesse, corridas de cavalos”. Hoje, será outra coisa.
Cerca de 30 alunos trabalharam 2 meses nesta peça, literalmente de dia e noite. Nos últimos dias, quem esteve a trabalhar na concepção de luz para o espectáculo, por exemplo, deixou o auditório do THSC “às 5h e 6h da manhã”.
Os jovens que termina a licenciatura no final de Junho – nas áreas de Interpretação (a maioria), Luz e Som, Direcção de Cena e Produção, Cenografia e Figurinos – são responsáveis por tudo neste espectáculo, que fica em cena até domingo. A peça tem 3 horas e as sessões começam às 21h30. Os bilhetes custam 2 euros.











