Fernando Lanhas

Fernando Lanhas. Foto: UP

O pintor e arquitecto portuense Fernando Lanhas, uma das maiores referências artísticas portuguesas, morreu, aos 88 anos.

Segundo o director do Museu de Serralves, João Fernandes, Lanhas faleceu sábado à noite.

O corpo de Fernando Lanhas encontra-se em câmara ardente na Igreja Nossa Senhora da Boavista, no Foco, no Porto. O funeral realiza-se segunda-feira.

Uma vida dedicada à arte

Fernando Resende da Silva Magalhães Lanhas nasceu na freguesia da Vitória, no Porto, em 16 de Setembro de 1923, numa família ligada aos tecidos e à moda.

“Desde criança que se inquietou com as origens do Homem e com o conhecimento do Universo, temas que motivaram os primeiros trabalhos artísticos e as primeiras pesquisas científicas”, refere o site da Universidade do Porto, que lhe deu o doutoramento honoris causa em 2005.

No ano lectivo de 1941-1942, inscreveu-se no Curso Especial de Arquitectura, da Escola de Belas Artes do Porto, depois do qual se matriculou, no ano de 1945, no Curso Superior de Arquitectura.

Terminou os estudos em 1947, com a apresentação de um projecto sobre a construção de um museu, que lhe valeu a classificação de 19 valores.

Na ESBAP dirigiu o Grupo de Estudantes de Belas Artes e teve por colegas Nadir Afonso e Júlio Pomar.

Começou a pintar quadros figurativos, que rapidamente se transformaram em obras abstractas, sendo visto como um dos pais da arte abstracta em Portugal.

“A obra de Fernando Lanhas explora a pintura não-figurativa como meio de transformação e apropriação da realidade”, diz o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Curioso
Fernando Lanhas a pintar os rochedos da Serra de Valongo, 1952

Fernando Lanhas a pintar os rochedos da Serra de Valongo, 1952. Foto: Colecção de Serralves

Relevou curiosidade por múltiplas áreas do conhecimento, entre elas a arquitectura e a astronomia.

Nos anos 70, na actual Escola Secundária Garcia de Orta, criou a Sala de Cosmografia, a “primeira sala deste género no país, reconhecida pela NASA devido à sua importância didáctica e que motivou o convite feito a um aluno daquele liceu para estar presente no lançamento da nave Apollo14”. A sala desapareceu depois do 25 de Abril de 1974.

Homem de variados interesses, foi poeta, desenhador, coleccionador, arqueólogo amador, realizando o “Inventário dos Lugares com Interesse Arqueológico”, que começou a ser publicado em 1965. Nas suas pesquisas, dedicava especial atenção ao património arqueológico do Norte.

Interessou-se também pela paleontologia, biologia, geologia e museologia.

Projectou e executou montagens de colecções no Museu Municipal da Figueira da Foz, no Museu Monográfico de Conímbriga, no Museu Militar do Porto e na Biblioteca-Museu Municipal de Paredes. Planeou, também, o Museu de Mineralogia da Faculdade de Ciências do Porto e o Centro de Arte e Cultura Popular, em Famalicão.

Entre as obras que realizou enquanto arquitecto, destacam-se o projecto nunca realizado da Casa do Espaço (1958-1962); o Prédio de Rendimento, Porto (1957); moradias no Porto e em Espinho (1959, 1970); o Pavilhão de Exposições de Matosinhos (1964); o Museu Monográfico de Conímbriga (1982); e o Centro de Arte e Cultura de S. Pedro de Bairro, em Famalicão (1986).