Emmanuel Nunes

Emmanuel Nunes (1941-2012). Foto: DR

O director artístico da Casa da Música defende que “o Governo deveria fazer o possível” para que os restos mortais do compositor Emmanuel Nunes, de 72 anos, falecido este domingo em Paris, vão para o Panteão Nacional.

António Jorge Pacheco considera que esse é o lugar que Emmanuel Nunes merece, dizendo que “desapareceu hoje [domingo] uma das grandes figuras da cultura portuguesa, da música internacional” e “neste momento aquilo que há a fazer é continuar a honrar a sua memória, a ouvir a sua música e a divulgar a sua obra”.

O director artístico mostrou-se emocionado porque, conhecendo o compositor há uma década, teve “o privilégio de, entretanto, ter amizade dele e conviver com ele, uma das mentes mais brilhantes e das pessoas mais extraordinárias” que conheceu. “Neste momento só consigo sobretudo pensar no amigo que partiu”, afirmou.

O director artístico da Casa da Música considera que, apesar de o nome de Emmanuel Nunes ter gozado de uma consagração no estrangeiro, não houve “défice de reconhecimento em Portugal onde a sua música, sobretudo na última década, foi tocada com frequência”.

Para António Jorge Pacheco, “a Casa da Música nesse aspecto cumpriu o seu papel, fez o que tinha a fazer, e ele pôde vir frequentemente ao Porto, dar seminários de composição, tornando a sua presença regular. “É para mim hoje um consolo saber que, em vida, fizemos aquilo que nos competia fazer”, afirmou ainda.

A última vez que esteve com o compositor foi “em Março passado, quando o Remix tocou uma obra sua na Filarmónica de Berlim”, e lembrou: “Foi momento alto, para o Remix e para o Emmanuel e podemos testemunhar o aplauso entusiasta daquele público, que é um público conhecedor”.