Rubem Fonseca

Rubem Fonseca é um dos convidados do Correntes d'Escritas. Foto: DR

O Correntes d’Escritas, que acontece de 23 a 25 de Fevereiro, é uma “edição milagre”, porque este ano, em contexto de crise, foi conseguido “quase sem dinheiro, mas mantendo a qualidade”.

A consideração foi feita esta quinta-feira, durante a apresentação do evento, pelo vereador com o pelouro da Cultura da Câmara da Póvoa de Varzim, que avançou que serão gastos “apenas 35 mil euros”, sendo que “50%” são comparticipados pelo Fundo de Turismo e a restante verba contará com apoios do Casino da Póvoa, embaixadas, empresas e a própria autarquia.

Tendo em conta que em edições anteriores o Correntes d’Escritas chegou a custar mais de 100 mil euros, desta vez, conseguiu-se “reduzir de forma significativa os custos deste evento literário de excelência”, frisou Luís Diamantino.

Apesar dos cortes, o Correntes vai trazer à Póvoa de Varzim mais de meia centena de escritores, dos quais “18 participam pela primeira vez neste encontro”.

Rubem Fonseca, Salgado Maranhão e Bia Corrêa do Lago (Brasil), Care Santos, Rosa Montero, Uberto Stabile (Espanha), Valeria Luiselli (México), Daniel Mordzinski (Argentina), Manuel Rui (Angola) e os portugueses Joao Pedro Messeder , João Bouza da Costa, Eugénio Lisboa, Fernando Pinto Amaral, José Jorge Letria e Valter Hugo Mãe e Onésimo Teotónio de Almeida são alguns dos convidados para esta iniciativa.

A revista Correntes d’Escritas deste ano vai ser dedicada ao pensador português Eduardo Lourenço e incluirá textos de Hélia Correia, Rui Zink, João Morales, Francisco José Viegas e Guilherme d’ Oliveira Martins, entre outros.

Prémio Literário

O vencedor do Prémio Literário vai ser anunciado no dia da abertura, às 11h, no Casino da Póvoa de Varzim, e tem como autores finalistas Teolinda Gersão, Maria Teresa Horta, Hélia Correia, Rubem Fonseca, Yvette Centeno, Enrique Vila-Matas, Leonardo Padura, Inês Pedrosa, e Mário Cláudio.

A sessão vai contar com a presença do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, e terá como primeiro orador nas mesas do Correntes Manuel Clemente, bispo do Porto.

Luís Diamantino realçou ainda que um dos pontos altos deste encontro de escritores de expressão ibérica será a exposição “Aproximações” que incluirá fotografia de Jorge Barros, onde o autor privilegia as “paisagens, momentos, recantos situados entre o continente e as ilhas dos Açores”.

Actividades paralelas

No dia do encerramento, sábado, o Correntes vai homenagear Maria Lúcia Lepeki, Rui Costa e Moacye Scliar, a título póstumo.

O programa inclui ainda actividades paralelas, como o cinema, com a exibição de “O Barão”, um filme de Edgar Pêra, que retrata a vida de um homem que é um ditador e caciquista, arrogante e controlador.

Mesas de debate, que têm como tema de fundo a crise no seio dos livros e da cultura, teatro, sessões de poesia, uma feira do livro e lançamento de muitas publicações fazem parte do programa deste evento que é não é mais do que um encontro de “afectos e de cumplicidades com uma força imparável”, conclui Luís Diamantino.