Exponor

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A Associação Empresarial de Portugal (AEP) já acertou com 4 dos 9 bancos credores da sua dívida de 41 milhões de euros a constituição de um fundo imobiliário que deterá a Exponor e permitirá à associação sanar o seu passivo.

Em declarações aos jornalistas à margem de um congresso europeu sobre sucessão empresarial, o presidente da AEP disse estar “em negociações” com as restantes instituições bancárias que, contudo, já terão assumido que esta é a melhor solução.

“Estamos em negociações com a banca. Neste momento tenho 2 confirmados por escrito e 2 oralmente e os outros ainda estão a pensar, não por questões de valia da operação — porque todos dizem que esta é a melhor solução possível para eles — mas devido a convulsões que existem neste momento em alguns bancos”, afirmou José António Barros.

Segundo salientou, o crédito de 41 milhões de euros que os 9 bancos possuem sobre a AEP é “uma dívida em risco puro, sobre a qual a banca não tem qualquer garantia”. Assim, “se algum banco não aceitar e executar a AEP não recebe nada. Entre zero e unidades de participação de um fundo que tem por baixo a Exponor, que vale 90 milhões de euros, acho que não há muita coisa para decidir”, sustentou.

De acordo com Barros, apesar de a Exponor ter sido avaliada em 90 milhões de euros, o fundo imobiliário será constituído “apenas com 70 milhões, para estimular os investidores a comprar unidades de participação”, assumindo o fundo uma forma societária com a banca como maior acionista, com cerca de 70 por cento do capital.

Cerca de 15% das unidades de participação serão tomadas pela AEP e os restantes serão colocados em bolsa, no segundo mercado, quer por uma questão quer de “credibilidade”, quer de “liquidez”.

“A entrada em bolsa acontecerá mal se consiga a colocação dos títulos, ou no segundo semestre deste ano, ou no princípio do ano que vem”, adiantou o líder associativo, salientando que “tudo isto já foi oficialmente falado” com o presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, e com o presidente da Bolsa de Valores, José Luís Laginha.

Projecto imobiliário

Com o objectivo de “aumentar o interesse” de accionistas pelo fundo e de “ir buscar dinheiro fresco” para investimentos de conservação e beneficiação da Exponor, a AEP pretende ainda desenvolver um projecto imobiliário nos terrenos que possui em torno do parque de exposições, garantido ter já obtido o aval da Câmara de Matosinhos.

“A câmara está totalmente a favor, foi votado por unanimidade por todo o executivo camarário, que concluiu que o melhor que podem fazer é apoiar o desenvolvimento futuro da Exponor”, sustentou Barros.

Segundo adiantou, o projecto imobiliário incluirá “tudo menos habitação, desde escritórios a serviços, comércio e restauração de proximidade, que é o que faz falta ao pé de uma grande feira”.

Apesar de, “ao nível de projecto, haver já muita coisa feita”, José António Barros diz que a conjuntura económica só permite apontar o lançamento do primeiro investimento para dentro de 5 anos”.