Café Progresso

O Progresso, perto da reitoria da UP, é um dos cafés preferidos dos estudiosos. Foto: DR

Há alérgicos a estudar em casa. Há quem prefira o ar livre, mesmo admitindo que a maresia e as vistas da praia não sejam propriamente estímulos à produtividade. São as “salas de estudo” ao ar livre do Porto que, por esta altura, se enchem de alunos.

Esplanadas da Foz, espaços do “quarteirão das artes” (Miguel Bombarda e arredores) ou cafés antigos do centro do Porto são “as salas de estudo” do Porto eleitas por muitos universitários, que preferem espaços arejados à claustrofobia das casas ou bibliotecas.

Junto à janela do piso superior da pastelaria Tavi, na Foz do Porto, Margarida e Renato podiam ser um casal de namorados a apreciar o azul do Atlântico ao final de uma tarde Verão, mas não.

São alunos do 4.º ano de Medicina e estão às voltas com a disciplina de Terapêutica, numa mesa de café repleta de papéis e computadores portáveis. O exame está próximo.

“Não dá para estar em casa fechada”, desabafa Margarida Cardoso, 22 anos. Reconhece que estudar junto ao mar e à praia pode “não render tanto, mas é menos cansativo”.

O candidato a médico Renato Silva, 21 anos, tem “alergia” a estudar em casa. “Sou alérgico a ficar em casa a estudar”, confessa, acrescentando que lhe “rende mais” quando estuda nos bares junto à Foz. Toda a vida preferiu estudar junto ao mar.

Chás e Internet

O bar da Praia da Luz, o Foz Café, o Edifício Transparente, o Lais de Guia, em Matosinhos, ou o Black Coffee, em Leça da Palmeira, são alguns dos “escritórios” preferidos dos universitários do Porto.

Na Rota do Chá, uma casa de chá da Rua Miguel Bombarda, com jardim interior com Internet sem fios grátis, é muito procurada por estudantes Erasmus italianos e espanhóis.

Maria Manuel, funcionária da Rota do Chá, diz que o estudante pode estar uma tarde inteira a estudar por um chá verde ou um sumo.

No Centro Comercial Bombarda, um pouco mais à frente da Rota do Chá, Marta Maia, de 23 anos, está a trabalhar na tese de mestrado.

Marta admite que com o calor não consegue estudar em casa, preferindo refugiar-se em locais calmos, como aquele centro comercial de pendor alternativo que onde há Internet grátis e ar livre em esplanada interior.

Tânia Miguéis, uma funcionária do Café Pimenta Rosa, localizado dentro do centro comercial, conta que os estudantes começam a afluir a partir das 16h com os computadores.

Junto à reitoria

O segundo piso do Café Progresso é outro paraíso de estudo, por estar num sítio central, instalado na Praça Carlos Alberto, perto da reitoria da Universidade do Porto e de outros cafés emblemáticos da cidade para estudar, como o “Piolho“, o Ceuta, o Luso ou o Aviz.

Uma fã do Progresso é Isabel Santos, 22 anos, a frequentar o 4.º ano de Medicina. A estudante aprecia o silêncio daquele café, porque por vezes é até maior do que nas bibliotecas, que classifica de “claustrofóbicas” e “muito cheias” de gente.

Outros locais que começam a ser frequentados por estudantes são ruas como a Galeria de Paris, que à noite são o palco principal da movida do Porto, mas que à tarde têm um ambiente calmo e confortável.

Filipa Montalvão, do Era uma vez em Paris…, conta que há estudantes que costumam vir ali estudar, porque há Internet e “ambiente calmo”.

A Biblioteca da Fundação Serralves, iluminada através das janelas do arquitecto Siza Vieira, com vista para o bosque, e alguns cafés da Rua da Cedofeita são outros destinos de estudo no Porto.

Conhece outros espaços públicos utilizados por estudantes? Revele-os nos comentários.