Rui Moreira

Rui Moreira propõe o nome "Aeroporto" para uma eventual cidade que juntasse Porto e Gaia. Foto: Arquivo

O presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto, Rui Moreira, defende um entendimento entre os municípios vizinhos da cidade para reabilitar o centro histórico portuense, devido à falta de meios da autarquia e do Estado.

“O Estado não está disponível para a apoiar financeiramente [a reabilitação] e nós não temos capacidade de gerar meios”, afirmou Rui Moreira, esta segunda-feira, durante o primeiro debate da disciplina de “Geografia do Porto”, realizado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Destacando que o Porto “tem hoje uma nova oportunidade”, porque se tornou numa “cidade aeroportuária”, o presidente da SRU – Porto Vivo sugeriu a articulação entre a cidade e os municípios vizinhos.

“Era bom que as autarquias que compõem aquilo a que se pode chamar Grande Porto – Gaia, Maia, Matosinhos, Gondomar, Valongo e Porto – se entendessem e vissem a importância de articular a reabilitação. A recuperação no centro histórico do Porto traz benefícios directos para todas elas, não só a nível do turismo“, sustentou.

Rui Moreira disse mesmo que, a propósito da hipótese de fusão entre Porto e Gaia, já defendeu que essa nova cidade se devia chamar “Aeroporto”. “Passámos de uma cidade portuária para uma cidade aeroportuária”, justificou.

Olhar para a baixa e Campanhã

O também presidente da Associação Comercial do Porto disse ainda esperar que “a reabilitação comece a olhar para outras zonas” da cidade, como a baixa e Campanhã.

“O trabalho no centro histórico do Porto é difícil, minucioso e oneroso. A baixa e Campanhã são zonas muito interessantes e com outra elasticidade, onde é mais fácil intervir”, esclarece.

O presidente da SRU admitiu a existência de um forte interesse privado pelo centro histórico, mas também de constrangimentos vários: “Muitas daquelas casas não convivem bem com as formas de viver a que estamos habituados. Apesar da vontade de alguns interessados, mesmo com os apoios à requalificação, as pessoas concluem que o custo é muito elevado”.

Juntando isto às “dificuldades de financiamento”, o resultado é um “impasse”.

“Temos uma procura muito grande que, quando confrontada com a realidade, encontra obstáculos na salvaguarda do património e nos imponderáveis. Às vezes é preciso chamar os arqueólogos e a partir daí não se sabe quanto tempo vai demorar e quanto se vai gastar”, descreve.

“Para os visitantes, o centro histórico funciona bem. Para as pessoas que vivem lá, não. Em relação às infra-estruturas, como o gás ou a fibra óptica, funciona muito mal”, alertou o também membro do Conselho de Representantes da FLUP.

Face a esta realidade e “numa altura em que não existem meios para apoiar a iniciativa privada”, a SRU aposta num “investimento público que traga resultados rápidos”, ou seja, que tenha impactos no sector privado.

Demolir no centro histórico

Manuel Correia Fernandes, arquitecto e vereador do PS na Câmara do Porto observou, naquela que foi “a última aula da disciplina de Geografia do Porto”, que, “às vezes, é preciso chegar ao centro histórico e demolir“, porque algumas das coisas que é necessário preservar “tem valor pitoresco, e não patrimonial”.

O professor e geógrafo Rio Fernandes, que é também colunista do P24, conduziu o debate, tendo alertado para a necessidade de “voltar aos fatos feitos à medida” no que toca à regeneração das cidades e provocando Rui Moreira e Correia Fernandes sobre o fim de “uma certa subsidiodependência”.

Na sua perspectiva, “os pobres europeus vão ter de fazer pela vida, porque pobres há muitos” e isso trará mudanças de perspectiva sobre a reabilitação urbana.