O belga de cronómetro que deu mais tempo aos peões em Santa Catarina

Geert van Waeg no Majestic, onde conversou com o P24. Fotos: Pedro Rios
Se vir Geert van Waeg numa rua do Porto pode agradecer-lhe, sobretudo se tiver o hábito de andar a pé: foi este cientista belga que convenceu a Câmara do Porto a aumentar o tempo da luz verde nos semáforos para peões na Rua de Santa Catarina.
Já lá vamos. Antes, as apresentações: Geert van Waeg, 52 anos, é vice-presidente da Federação Internacional dos Peões, causa que lhe ocupa parte do tempo.
Trabalha numa empresa de equipamentos para o sector do sangue, o que o leva umas 10 vezes por ano às instalações no Porto do Instituto Português do Sangue.
É nas suas voltas a pé pela cidade que vai descobrindo um sem-número de coisas que dificultam a vida de quem anda a pé, quase sempre em favor do automóvel.
Foi numa dessas voltas que detectou que os semáforos de Santa Catarina – a rua pedonal por excelência do Porto – beneficiavam, de longe, os carros: os peões podiam esperar até 3 minutos e 16 segundos para passar a rua em segurança; os condutores não esperavam mais de 34 segundos.
Levou o caso à Câmara do Porto e convenceu a direcção municipal da Via Pública (com quem o P24 tentou falar, sem obter resposta). “Foram muito abertos”, conta Geert.
Em Novembro, sem alaridos, o trânsito pedonal em Santa Catarina sofreu uma revolução: um peão já não precisa de esperar mais de 1 minuto e 10 segundos pelo verde (e a espera pode ser apenas de 30 segundos, se a intensidade do tráfego for escassa); os carros ficam parados entre 70 e 80 segundos.
Conclusão: agora, cerca de 70% dos peões percorrem Santa Catarina com luz verde, nas contas de Geert.
O belga de cronómetro

A luta de Geert levou a uma revolução discreta em Santa Catarina
Geert van Waeg compreende que este tipo de questões não esteja no topo da agenda dos decisores. “Todos os engenheiros de tráfego foram treinados para resolver problemas de congestão de tráfego automóvel. Todas as soluções clássicas são para carros”, explica ao P24.
E Geert vê “este tipo de coisas em todo o lado”: passadeiras mal desenhadas, tempos excessivos para os carros, opções estranhas de quem desenha as cidades.
Entregou-se à causa dos peões com mais fervor depois de a filha de 14 anos ter sido atropelada mortalmente numa estrada enquanto caminhava, em 2003.
Desde então, é comum sair de casa (ou do hotel, quando está pelo Porto) com cronómetro e uma máquina fotográfica que permite filmar para registar aquilo que lhe parece ser mais inimigo dos peões nas vias públicas.
Novas causas
Geert van Waeg destaca problemas do Porto, como o tempo que se leva a atravessar do Montepio ao Guarany, na Avenida dos Aliados, pelas passadeiras, que podia ser reduzido em grande escala se fosse construída uma passadeira a direito. A configuração das passadeiras em quadrado, em vez de a direito, são mesmo um problema comum no Porto, diz.
Para o vice-presidente da Federação Internacional dos Peões, no Porto, é também fundamental que haja mais fiscalização e uma polícia actuante e que não tolere situações como paragens nos corredores bus.
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- Pingback: Crónicas do Primeiro Mundo CXXI « Um pé no Porto e outro no pedal | 30/01/2012







Parabéns, boa cena, sigam-lhe o exemplo – que tal propor que os discursos na AR tenham mais sumo e menos palha?
Mas continuo a preferir as belgas de chocolate.
Esta gente vem de outras paragens mandar bitaites sem perceber puto do comportamento tuga. Toda a gente sabe que aqui se atravessa com verde ou com vermelho, desde que haja espaço para o fazer. Aqui e em qualquer lado. Se não vem carro, ou se o carro vem longe e/ou devagar, atravessa-se a estrada.