Escola da Fontinha foi novamente fechada

Foto: Es.Col.A

A escola da Fontinha, no Porto, voltou esta quinta-feira a ser entaipada, depois de na quarta-feira ter sido reocupada pelos activistas do colectivo Es.Col.A, que se mantiveram nas instalações até cerca das 23h, disse à Lusa fonte policial.

De acordo com a fonte, “tudo decorreu de forma tranquila, apesar de os activistas terem afirmado ser sua intenção regressar hoje [quinta-feira] à Fontinha” para a realização de uma assembleia-geral.

Funcionários da Câmara do Porto iniciaram hoje, às 8h, os trabalhos para entaipar as entradas da escola, de onde foi retirado diverso material, como portas ou sanitas das casas de banho.

“Canalização destruída, sanitas e lavatórios para o lixo, haveres da Es.Col.A. retirados, mobiliário destruído, instalação eléctrica propositadamente estragada. A Es.Col.A. está neste momento vazia e emparedada. Mais um espaço público devoluto de pessoas e bens, como a Câmara sempre quis”, escreve o colectivo no seu blogue.

Impedir reocupação

O objectivo da acção das autoridades é impedir a reocupação das instalações pelos activistas do coletivo Es.Col.A, que agendaram para esta quinta-feira à tarde, às 18h30, uma assembleia geral para decidir o que fazer depois da intervenção da Câmara do Porto.

Desta vez, a intervenção da autarquia foi mais radical e incluiu a colocação de tijolos e a destruição das infra-estruturas essenciais à continuidade do projecto Es.Col.A, avança a Lusa.

Em declarações à Lusa, o comandante da Polícia Municipal, Leitão da Silva, explicou que os responsáveis do movimento Es.Col.A foram contactados para retirarem o material que pretendessem, antes do início dos trabalhos.

“A única coisa que vieram buscar, logo de manhã, foi um fogareiro”, disse.

Leitão da Silva fez questão de mostrar à Lusa uma sala aonde se acumulavam livros nas prateleiras para provar que, ao contrário do que foi dito, “ninguém os destruiu, nem vai destruir”.

Na zona envolvente à antiga escola primária eram poucas as pessoas que assistiam ao trabalho dos funcionários da empresa municipal Domus Social, mas ainda assim os ânimos exaltaram-se, quando moradoras a favor e contra o projecto esgrimiram argumentos.

O povo reocupou

Centenas de pessoas ocuparam na quarta-feira, cerca das 17h45, a antiga escola primária da Fontinha, quebrando o cadeado de protecção do portão e entrando no espaço de onde tinham sido expulsos pelas autoridades há uma semana.

Durante toda a tarde, os activistas retiraram as várias chapas de metal pregadas nas portas e janelas da escola que tinham sido colocadas por trabalhadores da Câmara do Porto.

Às 22h de quarta-feira, a música foi desligada e as luzes da escola começaram a ser apagadas. As pessoas arrumaram o as coisas e começado a abandonar a antiga escola primária da Fontinha para “não incomodar o bairro”.

Em declarações aos jornalistas, Ana Afonso, elemento do movimento, explicou que a escola “nunca foi um espaço onde as pessoas ficassem a morar ou a dormir”, com a excepção de alguns dias no pré-desalojo devido à “tensão”, mas realçando que esta foi uma situação “pontual”.

“Eu creio que o que estará em discussão na assembleia-geral [marcada para esta quinta-feira, às 18h30] é como vamos limpar, reorganizar, recuperar as nossas coisas e voltar às atividades”, disse, acrescentando que isso será feito “independentemente do que decidir a Câmara do Porto”.

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