Protesto pela Fontinha frente à Câmara do Porto

Protesto frente à Câmara do Porto, no 25 de Abril. Foto: Maria João Brum

“Fazer barulho” nos próximos dias foi uma das propostas aprovadas unanimemente, na assembleia popular que reuniu membros do colectivo Es.Col.A, apoiantes e manifestantes, esta quinta-feira, no largo da Fontinha. Várias vozes populares defenderam que não vão permanecer em silêncio, a única forma de não “dar descanso” à Câmara do Porto.

Membros da organização, apoiantes e moradores organizaram-se, mais uma vez, para discutir o futuro do Es.Col.A e das actividades envolvidas, e para determinar o sítio onde as mesmas vão decorrer, agora que a escola da Fontinha foi emparedada.

Foi aprovado, por maioria, que as actividades da Es.Col.A, vão continuar. Neste sentido, foram surgindo várias propostas, como a ocupação de uma ou mais casas devolutas, tendo sido destacada a zona da baixa portuense. “A baixa que parece o pós-guerra”, gritou um dos manifestantes.

Dar uma nova vida às paredes da escola da Fontinha, comprar tijolos a serem usados para “entaipar” a casa de Rui Rio ou o próprio edifício da Câmara do Porto, escrever no livro de reclamações da autarquia, elaborar um manifesto (a ser apresentado e votado na próxima assembleia) e  enviar cartas de protesto à autarquia foram outras propostas aprovadas na assembleia.

O próximo passo será formar diferentes grupos que darão continuidade às ideias e agendar actividades: aulas de guitarra, ensaios dos grupos do coro e teatro e sessões de ioga são alguns exemplos.

As várias propostas sugeridas levaram a que, a certa altura, houvesse alguma discordância entre os participantes: à medida que as ideias iam surgindo, alguns manifestantes sublinharam o facto de que estas não fazem sentido se forem realizadas a título individual. A união faz a força, argumentaram alguns.

Direitos de imagem

Pouco depois do início da assembleia e ainda antes da discussão da ordem de trabalhos, os populares decidiram ir a votos sobre o registo de imagens pelas câmaras fotográficas e de vídeo dos jornalistas que se encontravam no local. Ainda que alguns estivessem contra, argumentando que o largo era um local público, ficou decidido que, pelo menos até ao final da reunião, os jornalistas teriam de aguardar, “do outro lado do passeio”.

Mais tarde, aquando da formação de vários grupos que levassem a cabo as propostas aprovadas, ficou estabelecido que o grupo de comunicação já existente no projecto Es.Col.A iria dirigir-se aos vários órgãos de comunicação, depois de discutidas as informações a serem partilhadas.

A próxima assembleia popular terá lugar no sábado, no largo da Fontinha, pelas 18h30. No dia 30 de Abril, dia de assembleia municipal, haverá uma representação da autoria do grupo de teatro da Es.Col.A, em frente à Câmara do Porto.