O presidente do PS Porto acusou este domingo a câmara de “abandono, desleixo e negligência” em mais de 20 edifícios municipais na zona da Fontinha, defendendo uma “nova política estratégica” para a habitação da cidade.

O PS iniciou há 3 semanas um conjunto de visitas a ”diferentes componentes do panorama habitacional da cidade”, com vista a propor, em Abril, a realização de uma reunião extraordinária da autarquia para debater o tema. Pizarro adiantou que é intenção do PS promover, na última semana de Abril, um seminário sobre habitação.
“O que verificámos é o total abandono, desleixo e negligência da câmara quanto ao seu próprio património. Isto mina completamente a autoridade moral da autarquia relativamente aos proprietários privados. Se a câmara não cuida do seu património, como há-de impor regras aos privados? Isto exige uma alteração das políticas municipais”, defendeu Manuel Pizarro, presidente da Comissão Política Concelhia do PS Porto.

O socialista explicou que o PS se prepara para apresentar “uma nova política estratégica para a habitação no Porto”, porque “a actual tem-se revelado um insucesso”.

Pizarro falava no final de uma visita à zona da Fontinha, na baixa da cidade, onde “grande parte dos edifícios e do espaço público se encontram totalmente abandonados”.

Só na rua das Musas há mais de 20 casas municipais parcialmente entaipadas sem que tenham sido limpas no seu interior, constituindo um foco de insalubridade e risco para a saúde pública que prejudica os moradores, os turistas que ali se deslocam por causa das vistas que a zona tem sobre a cidade e as pessoas que ali se deslocam para visitar o ateliê de José Rodrigues”, descreve Manuel Pizarro.

Degradação nos Aliados

Para o socialista, esta atitude da autarquia permite perceber por que motivo a centenas de metros, na Avenida dos Aliados, “há edifícios degradados e com vidros partidos”.

“Estamos a referir-nos à zona da baixa, que para a actual maioria camarária é considerada uma prioridade em matéria de reabilitação e reabitação urbana. Mas a actual estratégia habitacional da Câmara do Porto falhou. A prova disso é que a cidade perdeu 35 mil habitantes na última década“, acusou Manuel Pizarro.