S. Pedro da Cova

Foto: Arquivo

Uma comissão criada em S. Pedro da Cova, Gondomar, para acompanhar a remoção de resíduos perigosos depositados naquela localidade, pediu esta terça-feira à ministra do Ambiente, Assunção Cristas, que faça respeitar os compromissos assumidos pelo Estado naquela matéria.

“Será inaceitável que novos adiamentos possam continuar a sustentar as nossas preocupações, sendo que estamos perante um problema de consequências extraordinariamente gravosas para as populações. Neste sentido, exigimos uma rápida intervenção das autoridades competentes, designadamente da senhora ministra do Ambiente”, refere a comissão, em comunicado enviado às redacções.

O texto alude a notícias “que dão conta de atrasos processuais e de perspectivas de novos adiamentos na remoção dos resíduos”, cerca de 88 mil toneladas, bem como à “ausência de resposta quanto à qualidade da água”.

No sentido de obter explicações adiccionais, a comissão quer ser recebida, com “caráter de urgência”, por responsáveis do Ministério do Ambiente, da Comissão do Ambiente da Assembleia da República, da Agência Portuguesa do Ambiente e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

No comunicado, a comissão diz que S. Pedro da Cova “continua sem saber se as águas subterrâneas estão ou não contaminadas, se pode ou não utilizar as águas provenientes dos poços e furos de água, e quais as reais consequências da deposição dos resíduos para a saúde pública das populações”.

Um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, apresentado à CCDR-N, em Abril de 2011, considerava que a perigosidade do depósito de resíduos para o ambiente e para a saúde pública locais era “muito elevada”, o que exigia a sua remoção “tão breve quanto possível”.

Seis meses depois, a CCDR-N fez saber que aguardava a abertura de uma linha de financiamento comunitário para começar a retirar os resíduos, provenientes da extinta Siderurgia Nacional e colocados em 2001 e 2002 nas escombreiras das antigas minas de carvão de S. Pedro da Cova.

A questão dos resíduos de S. Pedro da Cova foi objecto de uma resolução parlamentar, em 9 de Dezembro de 2011, na qual se recomendava ao Governo a abertura de um concurso público internacional para remoção dos resíduos perigosos.

A Junta de Freguesia reagiu então à posição da Assembleia da República, defendendo que se passasse rapidamente à prática, sem esquecer a responsabilização criminal dos que “colocaram S. Pedro da Cova perante este problema imerecido”, numa alusão a um inquérito-crime actualmente em curso no Ministério Público de Gondomar.