Escola da Fontinha

O movimento Es.Col.A foi despejado no dia 19 de Abril. Foto: Maria João Brum

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, deixou esta terça-feira sem resposta as dúvidas da oposição sobre o despejo e o futuro do projecto Es.Col.A, nomeadamente sobre a proposta aprovada em Março pelo executivo para dar continuidade ao projecto.

Na reunião camarária desta terça-feira, o autarca justificou o silêncio com o comunicado da Câmara de quinta-feira, que “diz tudo” sobre o assunto.

“O comunicado diz tudo, não diz é como se garante a continuidade do projecto aprovada por este executivo em Março”, respondeu Pedro Carvalho, vereador da CDU, que viu recusado o requerimento para a inclusão de um debate sobre o tema na agenda da reunião do executivo.

A Câmara aprovou a 13 de Março, com a abstenção da maioria PSD/CDS, uma recomendação para “suspender o despejo da Es.Col.A e estabelecer um diálogo com os seus promotores para garantir a continuidade do projeto e suas actividades”.

“Como se dá continuidade a um projecto dando um prazo para a ocupação do espaço”, questionou Pedro Carvalho, referindo-se ao comunicado em que a autarquia revelou estar disponível a permitir a ocupação da Es.Col.A até ao fim de Junho.

“Havia um projecto válido. A Câmara devia ter-lhe dado continuidade”, defendeu o vereador da CDU.

O comunista tentou ainda saber se o projecto ”de natureza social que a Câmara diz ter para o local não podia ser compatibilizado com a Es.Col.A”.

Para além disso, queria ser esclarecido sobre se as “outras casas municipais devolutas naquela zona não podem ser aprovadas para o projecto”.

PS também ficou sem respostas

O silêncio foi também a resposta às questões do vereador socialista Manuel Correia Fernandes.

“Sabemos de um projecto antigo da Direcção Regional de Educação e da Universidade Católica para a escola da Fontinha. Será que vai agora andar mais rapidamente”, questionou.

Quanto às “dezenas de casas” camarárias devolutas “na Rua das Musas”, Correia Fernandes perguntou se a autarquia ficará “à espera da próxima ocupação”.

Para o socialista, entre ter um “equipamento municipal ao abandono, ocupado por actividades marginais” e ter a escola a servir o movimento Es.Col.A “para atividades culturais e sociais”, o melhor é “a segunda opção”.

Questionando se foi “mesmo necessário ter chegado a este ponto”, Correia Fernandes interrogou a Câmara sobre a participação de “bombeiros à civil” no despejo da Fontinha e o arremesso de “objectos do edifício para o pátio”.

O socialista vincou, no entanto, que o PS “não acompanha” as críticas ao aparato policial usado no despejo.

“Provavelmente, só com aqueles meios seria possível” levar a cabo a acção, considerou o vereador do PS.

Pedro Carvalho, da CDU, discordou: “Não acompanho o PS relativamente ao aparato policial usado no despejo. Considero que houve um exagero potenciador de conflitos”, observou, contestando o recurso a “bombeiros à civil” na acção de despejo.

Grupo Anonymus

Correia Fernandes criticou ainda a Es.Col.A por não se ter “demarcado da ameaça do grupo Anonymus”, vincando que o PS “não aceita a ameaça como meio para questionar a legitimidade de um presidente da Câmara democraticamente eleito”.

No comunicado divulgado na quinta-feira, a Câmara questiona “se o movimento estará realmente interessado em promover qualquer actividade comunitária ou apenas em provocar distúrbios e desafiar as instituições”, lembrando o “vídeo ameaçador que, entretanto, divulgaram através da Internet”.

O colectivo Es.Col.A, instalado na antiga escola primária da Fontinha desde Abril de 2011, foi na quinta-feira despejado do local, numa acção que motivou confrontos entre activistas e a polícia, levando à detenção de 3 pessoas.