Largo da Lapa vai ser pedonal e ganhar “dignidade”

Igreja da Lapa deverá tornar-se Monumento de Interesse Público. Foto: João Miranda
A Câmara do Porto aprovou esta terça-feira por unanimidade abrir um concurso público para a reformulação urbanística do Largo da Lapa, que passa a ter um carácter pedonal e obriga a reorganizar a circulação do trânsito em toda a sua envolvente.
A proposta votada na reunião do executivo tem em vista a “selecção de 5 trabalhos de concepção” para a reorganização do largo.
O objectivo da autarquia é dar “dignidade” ao Largo da Lapa, onde está situada a Igreja da Lapa, que acolhe o coração que D. Pedro IV doou à cidade.
Para isso, pretende-se dar ao espaço um “carácter pedonal”, pelo que a paragem de autocarro ali situada terá de ser “removida e recolocada”.
Os veículos vindos da Rua da Regeneração em direcção à Rua da Lapa ou Praça da República passam a utilizar o corredor existente entre o Largo da Lapa e as traseiras do Quartel General, onde se criará também zona para estacionamento.
Devido à reorganização do trânsito da envolvente ao Largo da Lapa, prevê-se a instalação de semáforos na intersecção entre a Rua da Lapa e as ruas Senhora da Lapa e Cervantes.
Evocar a memória de D. Pedro IV
Na proposta do vereador do Urbanismo, Gonçalo Gonçalves, refere-se que “actualmente o largo é apenas uma via de circulação onde é permitido o estacionamento utilizado pelos moradores e por quem visita o monumento, tornando-se urgente ser objecto de requalificação”.
Nos termos de referência do concurso são estipuladas as condições das ideias a apresentar: devem “evocar a memória de D. Pedro IV”, “evidenciar a posição da Igreja” da Lapa, “organizar o espaço tendo em conta as questões de trânsito” e “apontar uma eventual ligação ao Quartel Militar, no caso de este vir a ter outra função”.
“Descuido urbanístico”
Gonçalo Gonçalves sustenta que “o espaço fronteiro à Igreja da Lapa não tem hoje a dignidade que a figura que o Porto elegeu como símbolo da sua alma merece”.
“O largo definido pela igreja e pelas grandes tílias é um espaço relativamente exíguo, caracterizado por alguma falta de desenho urbano que os tempos e o descuido urbanístico foram acentuando”, acrescenta.
A Direcção-Geral do Património Cultural quer classificar como Monumento de Interesse Público a Igreja e Cemitério da Lapa, no Porto, e fixar uma zona especial de protecção que se estende até à Praça da República, de acordo com um anúncio publicado no Diário da República na quarta-feira.











As projectadas alterações no Largo da Lapa serão catastróficas para o trânsito naquela zona, que actualmente flúi optimamente rumo à R. Antero de Quental, vindo da R. de S. Brás, R. da Regeneração, R. João das Regras e Pç. da República, e que com o projectado corte de trânsito no Largo, passará a ver-se terrivelmente estrangulado. Além disso, o Largo tal como está possibilita muitos e valiosos lugares de estacionamento para quem frequenta a igreja, o cemitério e o hospital. Com o projectado “embelezamento” ver-se-á reduzido a um enorme e vazio adro da igreja, completamente inútil, com um mamarracho em memória de D. Pedro IV. E tudo isso em prol de quê? De nada. De uma ideia peregrina de um sr. Correia Fernandes do PS e de algum cavalheiro da Irmandade da Lapa que ande por lá a mexer os pauzinhos, não se sabe para quê. Homenagem ao D. Pedro IV já há uma (e excelente) na Pç. da Liberdade, onde o dito tem uma bela estátua equestre – que mais querem? Esta é a Casa dos 24 do Presidente Rui Rio, que antes de se ir embora bem podia deixar uma boa memória e não está péssima lembrança que irá atormentar para a eternidade todos os que por ali querem circular livremente como sempre circularam desde há muitas décadas. Dr. Rui Rio: o povo está farto de efemérides e de homenagens que não servem para nada. Quer é ter a vida facilitada e funcional e nada de elefantes brancos, como mais este que se prepara