Farmácias de Gaia dão medicamentos aos mais carenciados
A autarquia de Gaia assinou, esta segunda-feira, um protocolo com 46 das 65 farmácias do município, que tem por objectivo ”estabelecer condições” de cedência gratuita de medicamentos a residentes carenciados.
Todas as pessoas em situação de “carência económica grave” e cujos medicamentos sejam indispensáveis ao tratamento da doença diagnosticada podem beneficiar desta iniciativa.
Os beneficiários têm, contudo, que cumprir alguns requisitos, sendo, por exemplo, necessário que a soma dos rendimentos do agregado familiar auferidos com salários, pensões ou subsídios sociais seja igual ou inferior a 100 euros per capita.
Cabe às associações de Solidariedade de Canelas e de Socorros Mútuos Nossa Senhora Esperança de Sandim, ao Centro Social da Paróquia de S. Salvador e Grijó, ao Centro Social São Félix da Marinha e à Cruz Vermelha Portuguesa sinalizar quem beneficiará desta iniciativa.
Para Luís Filipe Menezes, “este é o caminho correcto” e é aquele que “pode fazer com que muitas pessoas que vivem hoje e viverão no futuro momentos de dificuldade possam encontrar na própria sociedade os instrumentos e as soluções para resolver os seus problemas”.
É “saudável” a sociedade civil ajudar
O autarca da Gaia afirmou que as dificuldades que o país atravessa ”obrigam o Estado a transferir para a sociedade” a assunção de responsabilidades da área da acção social.
“É manifestamente o caminho que este Governo está a seguir. As circunstâncias que se vivem no país, na Europa e no mundo não deixam sequer espaço para outro tipo de caminho”, afirmou Luís Filipe Menezes.
Menezes considerou que as dificuldades que o país atravessa “vão obrigar o Estado a dar lugar à sociedade” e considerou “saudável” que tal aconteça.
Agradecendo às farmácias, Menezes considerou que a adesão à iniciativa demonstra “de uma forma tão evidente e generalizada aquilo que são responsabilidades sociais de uma actividade muito nobre”.
“Este pequeno exemplo corresponde àquilo que deve ser o movimento imparável do país da assunção de responsabilidades crescentes da sociedade em detrimento do Estado na acção social”, sublinhou o autarca de Gaia.
Para Luís Filipe Menezes, durante muitos anos houve “excesso de Estado e pouca sociedade na acção social, mas não por que os portugueses não sejam naturalmente generosos”.
“Por ventura o Estado, omnipresente excessivamente em muitas actividades em que devia deixar a sociedade fluir, ocupou esses espaços, às vezes com intenções que nem sempre as melhores, de controlar tudo e todos”, concluiu.











