Carros na Ribeira do Porto

Foto: Luis Miguel Bugallo Sánchez

É já a partir de quinta-feira que a Ribeira do Porto terá o trânsito condicionado. A novidade foi transmitida aos moradores e comerciantes numa sessão de esclarecimento, esta segunda-feira à noite, pelo vereador do Urbanismo e da Mobilidade, Gonçalo Gonçalves.

Os jornalistas não puderam entrar na sessão, que contou com cerca de 30 participantes, mas vários residentes e comerciantes relataram algum descontentamento face à forma como a Câmara do Porto está a conduzir o processo. Um deles saiu mesmo da reunião, a proferir insultos em voz alta.

É o caso de Cândido Mendes, morador de 61 anos, que lamentou aos jornalistas o facto de o vereador ter prometido “estudar” as queixas dos residentes depois de ter apresentado o plano de condicionamento de trânsito como um facto consumado.

O morador da Rua de Baixo não está contra o fecho do trânsito, mas dá como exemplo o caso do centro histórico de Gaia, onde os moradores têm livre acesso a qualquer hora. “Como é que faço para ir as compras?”, exemplificou.

O condicionamento abrange toda a área delimitada pela Rua do Infante, túnel rodoviário, Ponte Luís I, Largo de Miragaia e arruamento marginal/cais da Ribeira. A Rua de Mercadores será só para veículos prioritários (INEM, bombeiros ou “entidades policiais”, segundo aponta um documento  entregue à Lusa pelo presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto. A  Rua da Alfândega, que já tem trânsito condicionado, ficará apenas para veículos autorizados, como os do lixo, e prioritários.
O que acontece na outra margem não acontecerá no Porto, a julgar pelo que relataram os participantes na sessão: os acessos serão feitos entre as 6h30 e as 11h (período de cargas e descargas) e durante o resto do dia só em “casos pontuais”, devidamente comunicados e aprovados pela Junta de Freguesia de São Nicolau. Questionado pelos jornalistas sobre estes “casos pontuais”, o vereador remeteu explicações para mais tarde.

As explicações sossegaram Artur Gonçalves, que tem o pai em situação de mobilidade reduzida. “É possível compatibilizar os vários interesses. A qualidade de vida também melhora”, comentou.

Para o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, António Fonseca, o modelo apresentado é “equilibrado e razoável” e ataca de frente o problema do “estacionamento caótico” na Ribeira.

Câmara admite mudanças

As queixas dos moradores e comerciantes eram as esperadas, disse Gonçalo Gonçalves, que registou “feedback positivo e negativo” neste encontro. As preocupações da população serão alvo de análise “nas próximas horas” para que se chegue a uma solução mais consensual, disse, sem especificar quais foram as principais queixas.

Sobre o facto de a sessão ter ocorrido a pouco mais de 72 horas da implementação da medida, respondeu: “era difícil” acontecer “com mais antecedência”.