Escola da Fontinha

Foto: Maria João Brum

Esta quinta-feira à noite, a petição online “o Es.Col.A não será nunca despejado, porque não se pode despejar uma ideia”, em defesa da escola da Fontinha e destinada ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, já tinha mais de 800 subscritores.

O colectivo Es.Col.A foi despejado da antiga escola primária da Fontinha, acção que resultou em confrontos entre a polícia e os elementos do movimento, acabando 3 pessoas por ser detidas e acabando com julgamento marcado para 2 de Maio, às 14h, no Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto.

Sob o mote “Tod@s pela Fontinha”, a petição online, destinada ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, acusa a autarquia de, “ao não ter cumprido com o acordado”, estar “a tentar matar algo que reabilita a zona do centro do Porto e que tem o apoio da população”.

“O Es.Col.A não será nunca despejado, porque não se pode despejar uma ideia”, defende a petição, que conta já com mais de 800 subscritores.

Os elementos afectos ao Es.Col.A – Espaço Coletivo Autogestionado do Alto da Fontinha, após o despejo, manifestaram-se na esquadra da Polícia de Segurança Pública do Heroísmo, depois na Câmara do Porto – onde um manifestante se regou com um líquido que disse ser gasolina e ameaçou imolar-se –, tendo regressado posteriormente à Fontinha.

O cordão policial que cortou o acesso à rua onde se localiza a escola da Fontinha foi entretanto aberto, tendo sido permitido aos elementos do movimento – já bem menos cerca das 22h – que se colocassem à frente do portão da escola, fechado a cadeado.

Alguns minutos após as 22h, os manifestantes que restavam desmobilizaram, tendo ficado apenas no local o dispositivo policial.

A escola da Fontinha foi, após o despejo, limpa e entaipada pelos funcionários da Câmara do Porto, estando todos os acessos (janelas e portas) tapados com chapas de ferro.

A Câmara do Porto revelou esta quinta-feira que estava disponível a permitir a ocupação do Es.Col.A até ao fim de Junho, desde que fosse formalizado um contrato de cedência e o pagamento de uma renda simbólica de 30 euros.

Foi perante “a incompreensível recusa do grupo em aceitar estas condições mínimas exigidas por lei” e “aplicadas a qualquer cidadão ou instituição” que se procedeu ao despejo coercivo, explica a autarquia, em comunicado.

O Es.Col.A, movimento que se mantinha na escola desde Abril de 2011, é um projecto sem fins lucrativos que oferece várias valências, como aulas de desenho, ioga ou guitarra e um clube de xadrez para todas as idades.

Para sexta-feira, às 18h, o colectivo tem marcada uma assembleia-geral para debater a situação e as próximas ações a realizar.