Manuel Correia Fernandes

Correia Fernandes vai insistir no assunto "Batalha" na reunião de câmara de terça-feira. Foto: AIP

O Partido Socialista exige que a Câmara do Porto dê explicações à cidade sobre o encerramento do Cinema Batalha, 4 anos depois da sua reabertura. O contrato de gestão do Gabinete Comércio Vivo com a empresa proprietária do histórico cinema, a Neves & Pascaud, terminou a 31 de Dezembro, e o emblemático edifício está votado ao abandono desde então, não se conhecendo planos para a sua revitalização.

A fachada foi pichada, as portas estão fechadas com correntes e as vitrinas onde, noutros tempos, eram colocados os cartazes dos filmes em exibição foram partidas.

“A Associação de Comerciantes do Porto pode não ter recursos para continuar a explorar o cinema, mas o que é estranho é o silêncio da Câmara do Porto”, disse, este domingo, Manuel Pizarro aos jornalistas.

O presidente da Comissão Política Concelhia do PS, que visitou o cinema com os vereadores socialistas na Câmara do Porto, lembrou que o Gabinete Comércio Vivo era “uma parceria entre a câmara e a Associação de Comerciantes” e que era “aqui [no Cinema Batalha] que iam ser gastos os famosos 5 milhões de euros pagos pela Amorim em contrapartidas pela execução do Plano de Pormenor das Antas”.

O plano de pormenor – cuja revisão estará em cima da mesa na reunião do executivo desta semana – tem 8 anos e Pizarro lembra que “uma parte da responsabilidade pela utilização destes dinheiros é pública”.

Manuel Correia Fernandes disse ao P24 que o PS vai “insistir” neste assunto na reunião de terça-feira. “Já fizemos várias propostas em relação ao Batalha. Na altura, quando perguntámos ao executivo pelo futuro do Batalha, o cinema estava na iminência de fechar. Agora, fechou mesmo”, lamentou o vereador.

Inaugurado em 1947, o Batalha é uma obra arquitectónica emblemática da cidade do Porto. Foi projectado pelo arquitecto Artur Vieira de Andrade, uma figura ligada à resistência ao regime fascista e o primeiro presidente da Comissão Administrativa da Câmara do Porto. A obra já à época era polémica. “O painel do Júlio Pomar que retrata a vida quotidiana da população pobre do Porto foi tapado pela censura”, recorda Manuel Pizarro, que ainda se lembra de ir às sessões do Cineclube do Porto no Batalha. O pai trabalhava naquela zona quando Pizarro “era miúdo”.

Manuel Pizarro considera que o Rivoli Teatro Municipal é “a prova de que na cidade falta mais imaginação do que propriamente condições financeiras”, referindo-se à recente animação do teatro com as Noites do Rivoli. “Achamos que no Batalha isso também pode ser possível”, sublinhou.

A autarquia pode e deve, entendem os socialistas, “promover iniciativas que venham a revitalizar o Cinema Batalha” e agilizar o licenciamento de actividades que possam trazer vida a um edifício que “não poderá ser rentabilizado apenas como sala de cinema”.

O Restaurante Batalha, que chegou a funcionar no 2º piso e na esplanada, foi um dos projectos que não singrou por dificuldades no licenciamento.

“Este é um equipamento que está a ser roubado ao Porto e a câmara deve uma explicação sobre o que aconteceu e o que acha que vai acontecer aqui”, disse Manuel Pizarro.

O socialista acredita que “não há razão para que a movida da rua dos Clérigos não seja também a movida da Praça da Batalha”.