Teatro Sá da Bandeira

Foto: Joseolgoná

Que o diz é a empresa exploradora do Teatro Sá da Bandeira, no Porto, que acusou este domingo a Câmara e a Polícia Municipal de excederem as suas competências, ao impedirem a realização de concerto numa sala com licença permanente para espectáculos.

Em causa estava um concerto do artista internacional Robert Owens, que não chegou a realizar-se na noite da passada sexta-feira devido à intervenção da Polícia Municipal, explica um comunicado da Rocha Brito e Vigoço, empresa que explora o teatro.

O comunicado, assinado pelo gerente Manuel João Ribeiro, sublinha que o teatro funciona há mais de 100 anos e “tem uma licença permanente para a realização de espectáculos emitida pelo Governo através da Inspecção-Geral das Actividades Culturais”.

Impedindo-se a realização do espectáculo, sublinha o texto, “foram assim violados, de forma grave, direitos constitucionalmente garantidos, para além dos deste teatro, do artista, que não pôde actuar, e dos espectadores, que não puderam apreciar o espectáculo”.

Interesses económicos

O comunicado enquadra o sucedido sexta-feira no âmbito de uma alegada estratégia da Câmara Municipal para fechar o Teatro Sá da Bandeira “por qualquer meio, mesmo que violando de forma grave e ofensiva os direitos da liberdade artística, da legalidade das licenças emitidas pelo Governo e, mais grave, o direito a uma defesa legítima dos seus interesses em tribunal”.

“Isto tudo tendo por base interesses económicos que nada tem a ver com a legalidade do referido evento”, assinala o texto, acrescentando que a posição adoptada pela autarquia surgiu na sequência de queixas, formalizadas por responsáveis do vizinho Hotel Teatro, sobre ruído gerados em eventos naquela sala.

“Estranhamos muito que uma unidade hoteleira se queira instalar na proximidade de uma sala de espectáculos como o Teatro Sá da Bandeira que desde finais dos anos 90 realiza legalmente espectáculos de teatro e concertos”, refere o comunicado.

Para a detentora dos direitos de exploração do teatro, os interesses que estão em causa “são obviamente imobiliários, empresariais e políticos, aos quais interessa a degradação da imagem deste teatro e consequente fragilidade financeira”.

Numa aparente comparação com os ruídos provocados em estabelecimentos de animação nocturna do centro urbano, os responsáveis do teatro declaram-se “absolutamente estupefactos com a ausência de escrúpulos e consequente descriminação da Câmara do Porto em relação a casas de espectáculos da cidade em que o rigor inexiste”.

A Lusa tentou obter um comentário à Câmara do Porto, que não remeteu qualquer esclarecimento até ao momento à agência noticiosa.