Saúde

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Valongo, Oliveira de Azeméis, Fafe, Santo Tirso e Macedo de Cavaleiros são as urgências do Norte que podem vir a fechar, se o Governo seguir as recomendações da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência (CRRNEU).

O presidente da Câmara de Santo Tirso, Castro Fernandes, mostra-se “indignado” com a proposta de encerramento da urgência desta cidade, proposto no relatório da comissão.

Em comunicado, Castro Fernandes disse estar “indignado com o relatório da CRRNEU”, realizado a 10 de Fevereiro, mas só agora tornado público, considerando que a proposta de encerramento do Serviço de Urgência Básico de Santo Tirso é “meramente economicista” e um “verdadeiro ataque aos utentes do Serviço Nacional de Saúde”.

“A câmara municipal manifesta a sua preocupação e mantém a sua posição inflexível contra o eventual encerramento do Serviço de Urgência Básico”, defendeu, relembrando o investimento de cerca de 2,5 milhões de euros na requalificação deste serviço, inaugurado em 2009.

Para o presidente da câmara, esta é uma proposta que se insere “numa estratégia de esvaziamento progressivo dos serviços públicos disponibilizados no concelho”, visto que “paira sobre Santo Tirso a recorrente ameaça de encerramento de serviços”, tal como já aconteceu com a maternidade.

“Conseguiu-se evitar o encerramento da Urgência proposto em 2007, mas permanece a ameaça sobre o hospital, o tribunal, as escolas e as juntas de freguesia”, acrescentou.

O autarca afirmou ainda que é “lamentável” e “inaceitável” o facto de a Comissão ter tomado “qualquer decisão sem consultar os eleitos locais”, uma vez que, em Novembro do ano passado, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, teria garantido a Santo Tirso que “as câmaras municipais seriam chamadas a pronunciar-se”.

Castro Fernandes acredita, por isso, que o ministro “será sensato e não permitirá a concretização desta proposta”.

Dezasseis urgências podem fechar

A Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência prevê o encerramento de 16 serviços de urgência classificados enquanto tal num despacho de 2008: Valongo, Oliveira de Azeméis, Fafe, Santo Tirso, Idanha-a-Nova, Tomar, Montemor-o-Novo, Estremoz, Serpa, Lagos, Loulé, Macedo de Cavaleiros, Peniche, Agualva-Cacém, Montijo e Lisboa (Hospital Curry Cabral, cujo encerramento já se efectivou).

Na proposta entregue ao ministro Paulo Macedo sugere-se também a redução de valências de algumas urgências, pelo que assim ficam a funcionar como urgência 73 pontos no país: 10 urgências polivalentes (as mais completas), 29 de urgência médico-cirurgica e 34 de urgência básica.

Vila do Conde também critica

Na proposta entregue ao ministro Paulo Macedo, sugere-se também a redução de valências de algumas urgências, como seja na unidade da Póvoa de Varzim/Vila do Conde.

O presidente da Câmara de Vila do Conde diz que a redução de valências em alguns serviços de urgência, nomeadamente no Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, é “incompreensível e inaceitável”.

“Manif” em Valongo

O presidente da Federação do Porto do PS, José Luís Carneiro, acusou o Ministério da Saúde de pretender fazer “de forma avulsa e ao pontapé, sem diálogo com as estruturas locais e as estruturas representativas do sector” a reforma da rede de urgências hospitalares.

No caso de Valongo, anunciou o dirigente, a população do concelho, numa iniciativa da estrutura local socialista, vai manifestar-se, na sexta-feira, contra o encerramento da urgência.