Fechar urgências vai melhorar serviço, diz comissão de peritos
A comissão que reavaliou as urgências hospitalares diz que a proposta de nova organização da rede foi pensada apenas numa perspectiva de melhoria do serviço. A proposta gerou indignação a Norte.
“Não é preciso haver mais do que 73 pontos de urgência, porque só 0,1% da população é que fica a mais de 60 minutos de um serviço de urgência. Ao centralizarmos mais e aproveitarmos a infra-estrutura, vamos aumentar a qualidade do acesso”, afirmou o presidente da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência, José Artur Paiva.
Em declarações aos jornalistas, no Porto, o também responsável pela urgência do Hospital de São João explicou que o relatório em questão foi produzido por um grupo de peritos, acompanhados por médicos, enfermeiros e administradores hospitalares, de forma a “garantir uma visão ecléctica do sistema”.
Acrescentou que foram visitados todos os pontos de rede nacional de urgência.
“É muito importante que a emergência pré-hospitalar, os serviços de urgência e até os cuidados de saúde primários comuniquem. E outra das propostas [do relatório] é dizermos que é importante que se promova o acesso a consultas de centros de saúde, consultas não programadas para situações agudas, não urgentes”, salientou o presidente da comissão.
“Acesso a serviços de má qualidade não é certamente a resposta adequada“, sustentou José Artur Paiva, dando ênfase ao facto do estudo em causa realizar uma “fotografia actual” e fazer uma proposta de como conseguir “aumento de qualidade e eficiência”.
O relatório foi já entregue ao Ministério da Saúde, estando agora sujeito a uma “fase de discussão pública e de avaliação política”.
ARS vão avaliar
O gabinete do ministro Paulo Macedo fez saber, entretanto, que cabe agora às administrações regionais de saúde (ARS) fazer uma avaliação da situação, não tendo, necessariamente, de seguir as propostas da comissão.
“É uma proposta e apenas uma proposta. Está a ser avaliada pelos serviços e levará em conta autarquias e especificidades regionais e locais”, referiu o Ministério da Saúde, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa.
Nove dos 16 encerramentos de urgências propostos pela comissão de reavaliação destes serviços já estavam previstos num documento elaborado ao tempo em que o Ministério da Saúde era dirigido pelo socialista Correia de Campos.
A comissão prevê o encerramento de 16 serviços de urgência classificados enquanto tal num despacho de 2008. Contudo, os peritos lembram que dos 89 serviços classificados como de urgência, na prática, só 83 funcionavam dessa forma.
Assim, pelas contas desta comissão ficam a funcionar como urgência 73 pontos no país: 10 urgências polivalentes (as mais completas), 29 de urgência médico-cirúrgica e 34 de urgência básica.













Sem dúvida que deve ser revista…