Vítor Costa

O P24 acompanhou os inquéritos há um ano. Foto: AIP

O diagnóstico local de segurança da freguesia da Sé, no Porto, revelou que o assalto na via pública e durante o dia é o tipo de crime que mais ocorre naquela zona da cidade, de acordo com os inquiridos.

O estudo, que foi apresentado esta quarta-feira e que envolveu 244 pessoas, a maioria das quais mulheres (62,7%), revela também que 17% dos residentes disse ter vivido nos últimos 5 anos uma situação de vitimização e, destes, apenas 10% admitiu ter contactado as autoridades e 7,4% ter formalizado a queixa.

O diagnóstico promovido no âmbito do Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade, que a PSP implementou naquela freguesia e que o P24 acompanhou no terreno há um ano, resulta de uma parceria com a junta de freguesia da Sé e a universidade Fernando Pessoa.

As condições apontadas como favorecedoras do crime foram, em primeiro lugar, o consumo de droga/álcool, seguida da situação de pobreza/desemprego e do policiamento deficitário.

O estudo, coordenado pelas investigadoras Ana Sani e Laura Nunes, da universidade Fernando Pessoa, averiguou também quais as incivilidades mais sentidas e identificadas. Os inquiridos apontaram a dispersão de lixo na rua, os danos em equipamentos públicos e o estacionamento caótico.

Questionados sobre a actuação dos agentes no sentido de tudo fazerem para garantir a segurança, a população dividiu-se entre o “quase sempre” (34,4%) e o “quase nunca” (33,6%). Dos restantes, cerca de 9% respondeu “sempre” e cerca de 11% ”nunca”.

Sobre o que consideram importante para aumentar a segurança na área, cerca de 60% dos inquiridos defendeu “mais policiamento”, seguindo-se medidas de prevenção do crime de consumo e tráfico de droga.

A freguesia da Sé tem uma população estimada de 6.890 habitantes, uma área de 0,4 quilómetros quadrados, 71 artérias e 15 instituições sociais/estabelecimentos de ensino.

O comandante metropolitano da PSP do Porto, Pinto Vieira, que participou na apresentação do estudo, considerou que o diagnóstico local de segurança da freguesia da Sé, juntamente com outros indicadores operacionais, irá contribuir para delinear os objectivos operacionais de policiamento a desenvolver pelas equipas de policiamento de proximidade.

Novo estudo

Feito o diagnóstico, o superintendente Pinto Vieira espera a realização de um outro estudo, envolvendo as mesmas entidades, para avaliar a situação de segurança após a intervenção diária do policiamento.

O Modelo de Intervenção Policial de Proximidade está implementado nas freguesias da Sé e de Santo Ildefonso e deverá estender-se à freguesia de Ramalde, tendo já sido assinado um protocolo nesse sentido.

O MIPP materializa-se no terreno através de 2 tipos de equipas policiais: equipas do programa Escola Segura e equipas de proximidade e apoio à vítima.