Manifestação dos trabalhadores do Olímpia e do Brasília

Os trabalhadores das 2 salas lutam há 1 ano pela recuperação dos postos de trabalho. Foto: Arquivo

Os trabalhadores dos bingos do Brasília e Olímpia, no Porto, deliberaram esta terça-feira concentrar-se a 13 de Fevereiro frente à secretaria de Estado do Turismo “se até ao final do mês o Governo não resolver” a questão da reabertura das salas.

No final de um plenário dos cerca de 100 trabalhadores das 2salas de bingo, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria e Turismo do Norte denunciou que “o Governo não presta qualquer informação sobre a situação, nem aos trabalhadores, nem ao sindicato”, e considerou “inaceitável este segredo sobre um concurso que é público”.

Em causa está o processo de mudança de concessão dos 2 bingos, que estão encerrados há um ano apesar de as novas concessões terem já sido atribuídas pelo ministério da Economia em Novembro passado.

Segundo explicou recentemente fonte daquele ministério, o processo de concessão dos 2 bingos prolongou-se porque “foi necessário analisar a argumentação dos interessados que apresentaram contestações ao concurso”.

A concessão das 2 salas de jogo foi atribuída às empresas Pauta de Flores, no caso do Brasília, e Lisbingo (do grupo Saviotti), no caso do Olímpia, constando do contrato de adjudicação dos mesmos uma cláusula que prevê a manutenção dos postos de trabalho.

O Ministério da Economia decidiu ainda a concessão do Bingo do Salgueiros, que se encontra em actividade e passará também para as mãos da Lisbingo.

O sindicato diz, contudo, ter obtido a “informação não oficial” de que a Lisbingo terá “desistido do negócio”: “Daquilo que sabemos, só o candidato da sala do Brasília apresentou a documentação necessária para ser celebrado o contrato com o Estado, mas nem este foi celebrado”, afirma Francisco Figueiredo.

Lamentando a falta de esclarecimentos por parte da secretaria de Estado do Turismo, que tutela o processo, o sindicato defende que, “se o concorrente que ficou em primeiro lugar desistiu, o Governo deve entregar as salas aos concorrentes seguintes e, se nenhum estiver interessado, deve fazer um ajuste directo das salas para salvar os cerca de 100 postos de trabalho”.

Segundo recorda Francisco Figueiredo, “o Estado, para além de pagar o subsídio de desemprego a estes trabalhadores, está a perder o imposto do jogo nas duas salas”, tendo já acumulado um prejuízo de “mais de 2 milhões de euros” desde o encerramento das salas.

Até fecharem portas, há 11 meses, as 2 salas de bingo estavam concessionadas à Varzim Sol (do grupo Estoril Sol), que cedeu a exploração à Sociedade Nortenha de Bingos.