Assembleia Municipal

Foto: Arquivo

O CDS atribuiu à “gestão Álvaro Castello-Branco” os bons resultados obtidos pela Águas do Porto, o PS contestou dizendo que o mérito é do responsável executivo, Poças Martins, e Rui Rio manteve-se calado.

Tal como haviam antecipado o PS e o Bloco de Esquerda (BE), a nomeação de Castello-Branco, vice-presidente da Câmara do Porto e presidente daquela empresa municipal, para a administração da Águas de Portugal (AdP) foi um dos temas debatidos durante a Assembleia Municipal do Porto, que reuniu segunda-feira à noite.

Os 2 partidos argumentaram que Rui Rio apresentou-se às eleições autárquicas de 2009 com o slogan “Com os 2 pés no Porto”, demarcando-se assim da candidata socialista Elisa Ferreira, acusada de ter um pé no Porto e outro em Bruxelas, por ser deputada europeia.

O deputado socialista Tiago Ribeiro considerou que a saída de Castello-Branco “é um autêntico volte face perante a palavra dada” e acrescentou que “os 2 pés tiveram perna curta para mentira”.

“Está em condições de garantir que outros vereadores não estão à procura de emprego noutras empresas públicas”, terminou, dirigindo-se a Rio, ladeado pelo seu ainda “vice” — que também guardou silêncio.

Segunda “baixa” em 2 meses

Em pouco mais de 2 meses, esta é a segunda “baixa” que o actual executivo municipal sofre em pouco mais de dois meses, depois do vereador Sampaio Pimentel, também do CDS/PP, ter ido dirigir o Centro Regional de Segurança Social do Porto.

O deputado bloquista José Castro utilizou argumentação semelhante e disse que “este executivo transformou-se num trampolim para outras funções, tendo mais adiante referido que “quem faz destas coisas desprestigia a classe política”.

O centrista Pedro Moutinho encarregou-se da defesa de Castello-Branco e adiantou logo que este será substituído por António Sousa Lemos, que foi vereador da Cultura no primeiro mandato de Rui Rio como presidente da Câmara.

“No CDS não há défice de competências”, acrescentou, reafirmando o “compromisso” do partido com a coligação e o executivo camarário.

A defesa do CDS

Num segundo momento, Moutinho enalteceu Álvaro Castello-Branco e a sua gestão na Águas do Porto, atribuindo-lhe a responsabilidade directa por vários indicadores positivos apresentados pela empresa, como os “resultados líquidos de 2 milhões de euros” obtidos durante 2011.

Paulo Rios, do PSD, respondeu às críticas socialistas observando que Teixeira dos Santos concorreu às eleições autárquicas de 2009 como cabeça-de-lista do PS à Assembleia Municipal, não tendo porém ocupado o seu lugar neste órgão.

Lembrou também que Pedro Abrunhosa foi eleito deputado municipal pelo PS e exerceu funções por pouco tempo, tendo saído para se dedicar por inteiro à sua actividade musical.

Gustavo Pimenta, líder do grupo municipal socialista, afirmou que tanto Elisa Ferreira como Teixeira dos Santos “sempre disseram” que não ficariam no município se não fossem eleitos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, respectivamente.

O deputado disse ainda a Paulo Rios que “não é muito elegante falar-se de alguém que está ausente”, referindo-se a Pedro Abrunhosa.

“O Pedro Moutinho quer fazer de nós parvos”, afirmou também Pimenta, referindo que os bons resultados da Águas do Porto enunciados pelo deputado centrista devem-se a “um homem chamado Poças Martins”.