Ribeira da Granja

Era este o cenário esta manhã na foz da ribeira. Foto: AIP

Centenas de tainhas morriam, esta sexta-feira de manhã, na ribeira da Granja, que desagua no rio Douro junto ao Jardim de António Calém, em Lordelo do Ouro, sob o olhar incrédulo de quem ali passava e a escassos metros de quem já se habituou a esta “desgraça”. Os populares dizem que já não é a primeira vez que se deparam com este cenário.

A água da ribeira, que  é o maior curso de água que atravessa a cidade do Porto e foi entubada pela Câmara do Porto em quase toda a sua extensão, estava castanha e tinha um cheiro intenso. Segundo apurou o P24 no local, funcionários da Águas do Porto estiveram no local, por volta das 11h, e tomaram  conta da ocorrência.

“Não é nem primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que isto acontece”, denunciou ao P24 Jorge Moreira, morador naquela zona e cliente assíduo do bar do Instituto Socorros a Náufragos, mesmo ali ao lado.

“A terceira vez é este ano! Porque isto é todos os anos assim. Hoje, a água até tem um cheiro intenso, que faz lembrar lixívia”, acrescentou Pedro Vieira, que gere o bar.

“Os homens da Águas do Porto, que andam por aqui todos os dias a fazer manutenção [a ETAR de Sobreira fica a poucos minutos do local] ver e mal viram meteram-se na carrinha e foram para cima”, confirmou Pedro Vieira.

Na zona, diz-se que a água castanha “vem de uma fábrica de caulinos ali para os lados de Monte dos Burgos”, conta Jorge Moreira.

Para estupefacção de quem passava

“Passo aqui muitas vezes e nunca tinha visto isto assim. Já tinha visto isto poluído, mas assim com os peixes todos a morrer nunca vi”, confessou ao P24 Harold Neal, que mora na zona e passa frequentemente no local de bicicleta.

“Isto foi uma descarga qualquer que fizeram. Há-de reparar que os peixes nadam aflitos até uma pedra. Dá ideia que querem sair da água desesperadamente, mas só tem tempo de saltar para a pedra e morrem logo”, sublinhava o homem de idade.

“Nunca tinha visto isto, os peixes a tentar ir para terra. É suicida”, comentou Ernesto Oliveira, outro ciclista e que, apesar de não ser de Lordelo do Ouro, passa no “Calém” amiúde.

Questionada pelo P24, a Águas do Porto informou, por e-mail, que “está, juntamente com a GNR – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, a verificar a situação”.

Este artigo foi actualizado às 18h com o esclarecimento remetido pela Águas do Porto.