Editor do guia com insulto a Rio na capa ficou com concessão da biblioteca do Marquês

- Pormenor da polémica capa da Porto Menu. Foto: DR
O empresário responsável pelo guia “Porto Menu”, cuja última edição foi retirada de todos os espaços municipais pela Câmara do Porto por conter um insulto na capa destinado a Rui Rio, ficou com a concessão e exploração da antiga biblioteca infantil do jardim do Marquês.
O edifício foi a hasta pública esta segunda-feira de manhã, com uma base de licitação de 260 euros mensais, tendo a praça sido fechada depois de o empresário Manuel Leitão, que também já puxou as orelhas ao autarca do Porto, ter oferecido 610 euros.
Em Junho, o espaço foi ocupado por várias pessoas e posteriormente alvo de despejo por parte da câmara.
Museu de “patifarias” de Rio
Mesmo antes da abertura da sessão, aquando da apresentação da documentação por parte dos interessados, o empresário afirmou que pretendia ficar com o edifício para reabrir a biblioteca infantil e ali colocar “uma exposição permanente das patifarias que o doutor Rui Rio tem feito na cidade nos últimos 10 anos”.
“Não sei se é compatível” com o destino que a autarquia pretende dar ao local, disse Manuel Leitão aos responsáveis municipais que estavam a promover a hasta pública.
A publicação desta concessão não esclarecia qual o destino que se pretende dar ao edifício, com uma área bruta de 43 metros quadrados, mas o caderno de encargos estipula como “fundamento de resolução” do contrato a “utilização das instalações para fim e uso diverso do autorizado pela autarquia”.
Sem obter qualquer resposta, porque os funcionários não estavam “preparados” para a questão e admitiram que não sabiam responder, Manuel Leitão acabou por ficar com a concessão quando esta estava prestes a ser entregue a um dos outros 2 interessados na sala por 560 euros mensais.
Puxou as orelhas a Rio
No final, em declarações aos jornalistas, o empresário, que, de acordo a edição de 6 de Julho do “Público” puxou uma orelha ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, para “chamar a atenção para o estado degradante em que se encontra o Mercado do Bolhão”, afirmou que pretende fazer naquele edifício “um pequeno museu com fotografias e desenhos que representem as patifarias” que o autarca fez à cidade.
“É o que há mais”, disse, referindo-se ao “Bolhão, mercado do Bom Sucesso, Baixo do Aleixo e Rivoli, entre numerosas situações”.
O empresário disse não ter “nenhuma vontade” de passar a ter notoriedade, mas admitiu que tal venha a acontecer depois do que aconteceu com o seu guia gratuito de restaurantes e bares do Grande Porto.
A capa da última edição do “Porto Menu” continha uma imagem do mercado do Bolhão com um grafito em que se lê, em maiúsculas, “Rio és um fdp”.
A autarquia mandou retirar de todos os espaços municipais o último número do guia em carta enviada aos anunciantes e classificou como “absolutamente inadmissível” a publicação de uma fotografia “com uma inscrição gravemente insultuosa de uma pessoa, em particular do presidente da câmara”.
“Acto de cidadania”
Manuel Leitão acusou esta segunda-feira Rui Rio de ter enviado a carta aos anunciantes, usando os serviços da autarquia, designadamente “o gabinete de comunicação”.
Questionado se decidiu ficar com a concessão da biblioteca como forma de protesto, o empresário disse tratar-se de “um acto de cidadania”.
O empresário admitiu ainda que as outras 2 pessoas que chegaram a licitar na hasta pública tenham sido mandadas a tal para o obrigar a subir a parada.
“Admito que venham a mando de alguém, porque eu avisei-os antes de começar [a hasta pública] sobre as minhas intenções”, frisou.
Nos serviços municipais, Manuel Leitão deixou 1.830 euros, referentes ao valor da concessão mensal, mais 2 meses de caução.
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- Pingback: Fora da Porta quer discutir espaço e serviço públicos | Porto24 | 02/04/2013










Boa malha! Lá estarei, carago, qundo for a inauguração desse espaço para dar o meu apoio a mais uma iniciativa que mostre o mal que o fuehrer do Porto fez à nossa cidade.
Sinceramente, talvez porque já leio em diagonal algumas notícias desta pobre terra, não entendo o texto.
E cada vez entendo menos…
Esta é boa… loool!
Tenho que conhecer o Manuel Leitão! Pela minha parte merecia uma estátua – que ele, seguramente, não quereria – pela maneira como se tem manifestado contra a autocracia do filho do Porto, Rui Fernando da Silva Rio. A cidade merece melhor. Enfim… nem todos os filhos saem aos pais.
Leitão a presidente da CMP!