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A um dia da demolição da torre 5 do Bairro do Aleixo, no Porto, as opiniões dos moradores dividem-se entre os que querem sair e os que desejam ficar no mesmo sítio que os acolheu e que conheceram quase toda a vida

“Não é por causa da droga que ele [Rui Rio] está a tirar daqui as pessoas. É porque o bairro é turístico e dá muitos milhares de euros”, diz uma exaltada Maria Natália Fonseca, uma das muitas moradoras do Bairro do Aleixo, que ali está há mais de 30 anos.

Foi para o Aleixo aos 10 anos, “ainda menina”. Ali namorou, casou, teve filhas. Lá viveu “a vida toda” e lá queria continuar a morar porque “é muito bom”.

Opinião igual tem a Belmira Silva (73 anos) no bairro há 37 anos, a Sara Soares de 27 que já nasceu lá e o Ernesto Alves (41 anos) no bairro há 38, para quem “Rui Rio veio estragar tudo”, inclusive “estragar a felicidade” das pessoas.

“Praticamente nasci aqui, o meu irmão nasceu aqui, as minhas irmãs, como vai ser agora? Vamos para outros bairros onde não conhecemos ninguém? Falam da droga, disto e daquilo mas não prejudicam ninguém. Ninguém tem problema com a droga. Eles vendem a quem têm de vender e não prejudicam ninguém”, desabafa.

‘Maria’, que não gosta que lhe tirem fotografias, tem 75 anos e mora na torre 3 há 37. A mesma torre que serve de base ao Centro de Dia onde costuma estar. A mesma onde teve e educou os seus filhos. A torre de um bairro de onde “saíram doutores, engenheiros e até jogadores de futebol”.

“Esta demolição é muito má e se Rui Rio via que havia droga na torre um, punha lá um polícia a tomar conta. Os outros moradores não têm culpa e se for por causa da droga tem que mandar todos os bairros do mundo abaixo”, apontou.

‘Maria’ está revoltada e diz alto e bom som: “eu não saio daqui”. Da Ribeira foi para o Aleixo, sempre com o rio como pano de fundo, um cenário que não quer perder “para os ricos” ou para “os prédios de luxo” que diz estarem previstos.

Os que estão a favor

Contudo, nem todos pensam da mesma forma. “Já devia ter acontecido há mais tempo” diz uma das moradoras em surdina, de fugida, com receio de dar uma opinião diferente à dominante.

Foi o Francisco Silva, de 67 anos, há 36 no Aleixo, quem teve coragem de se mostrar e afirmar que sim, a demolição “é justa”.

“Porque actualmente ninguém tem ligado nada aqui ao bairro [que] cada vez se vem degradando mais. Os elevadores não funcionam e há pessoas de uma certa idade que não podem descer nem subir [escadas]“, conta.

Diz mesmo que “o próprio movimento da droga é uma coisa que não se pode aturar”, especialmente na torre 1, “a pior delas todas”.

Não se importa de sair. “Vivi cá muitos anos mas da maneira como o bairro está, tão degradado, não há condições de viver aqui”, remata.

A demolição da torre 5 do Bairro do Aleixo está marcada para o final da manhã de sexta-feira.

“Os perigos estão neste momento reduzidos ao mínimo”, assegurou Leitão da Silva, comandante da Polícia Municipal.