Rivoli Teatro Municipal

La Féria tinha contrato para ficar no Rivoli até 31 de Dezembro de 2010. Foto: AIP

Num esclarecimento acerca da situação do Rivoli Teatro Municipal dirigido aos deputados da Assembleia Municipal, esta segunda-feira, o presidente da Câmara do Porto disse que Filipe La Féria “teve um comportamento correcto” e deixou no ar que, ao contrário do que se tem especulado, o produtor teria motivos para exigir direitos à autarquia e não o contrário.

“Eu estou a dizer que ele foi correcto. Esperemos que não venha à luz do dia no futuro que ele foi mesmo correcto”, disse Rui Rio. O autarca voltou a afirmar que La Féria “pagou tudo” o que devia. “Não ficou a dever nada à Câmara do Porto. Até pode ter acontecido é o contrário”, revelou Rio.

No final da Assembleia Municipal, o P24 contactou, por email, o Gabinete de Comunicação e Imagem da autarquia no sentido de esclarecer se a câmara ficou a dever dinheiro – ou deixou de cumprir com alguma obrigação – ao produtor Filipe La Féria, mas até ao momento ainda não recebeu uma resposta.

CDU e Bloco de Esquerda quiseram saber qual será o futuro do “maior teatro municipal do Porto”. Para além da forma como está a funcionar e funcionará daqui em diante a gestão programática do Rivoli – se terá “uma direcção executiva”, uma “direcção artística” ou um “serviço educativo”, Ada Pereira da Silva inquiriu Rui Rio sobre se La Féria teria cumprido o contrato que tinha com a autarquia até ao fim e, em caso de incumprimento, se haveria lugar ao pagamento de uma indemnização pelo produtor.

“Acho sinceramente que não se pode dizer que ele não cumpriu”, respondeu Rui Rio, depois de admitir que o contrato vigorava até 31 de Dezembro e que  “houve ali 3 meses” em que Filipe La Féria não teve nada em cena.

O produtor “percebeu que não tinha condições financeiras” para continuar, porque, “devido à crise, a receita de bilheteira baixou” e houve “uma queda dos patrocínios”, justificou Rio.

Câmara poupou 9 milhões de euros com La Féria

A entrega do Rivoli a Filipe La Féria permitiu ao município poupar 2,5 milhões de euros por ano, o que nas contas de Rio, dá “8,5 a 9 milhões de euros” durante o período em que o empresário esteve no teatro municipal.

“Antigamente, a Câmara do Porto passava 3 milhões de euros [por ano] para a Culturporto e só fazia Rivoli”, lembrou Rui Rio.

A poupança foi investida nos bairros municipais, sublinhou o autarca.