Gaivota sobre a estátua de Almeida Garrett, Aliados

Foto: Arquivo

A forte presença de gaivotas na Área Metropolitana do Porto (AMP) só será atenuada através da “eliminação ou redução acentuada” de alimento e da “tentativa” de impedir o poiso das aves no património, conclui um relatório divulgado esta terça-feira.

Em finais de Novembro de 2008, o presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, afirmou que o forte crescimento do número de gaivotas na AMP ameaçava tornar-se uma praga nas cidades, o que levaria os autarcas a solicitar um estudo à Universidade do Porto que definisse qual a melhor forma de controlar o fenómeno.

“A principal conclusão deste relatório é a de que a redução dos impactos negativos das gaivotas sobre o património e as actividades humanas só parece ser possível através da eliminação ou redução acentuada da disponibilidade de alimento para as gaivotas e da tentativa de exclusão destas de zonas de pouso (telhados, beirais, mobiliário urbano, etc.)”, revela o relatório.

Mais barato e eficaz

O estudo “Controlo da população de gaivotas na AMP”, elaborado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), apresenta agora como solução mais barata, mais simples e mais eficaz restringir os recursos alimentares às aves. Contudo, refere que esta medida tem a desvantagem de “o seu efeito apenas se fazer sentir a longo prazo”.

Assim, os autores do estudo entendem que é necessário “complementar esta estratégia com a adopção de medidas que atuem mais rapidamente”, designadamente através de métodos que interditem o uso do espaço por parte das aves.

Quanto à protecção do património, o relatório indica a colocação de dispositivos físicos (redes, cabos e espigões) ou a instalação de dispositivos sonoros em zonas de elevada concentração de gaivotas, como a Lota de Matosinhos.

Para concretizar as soluções já referidas, “torna-se necessária a sensibilização e colaboração ativa dos munícipes e a interação destes com equipas de especialistas que actuem nesta área”, adverte o documento.

No âmbito do trabalho de avaliação, a equipa desenvolveu uma página na Internet que apresenta uma descrição geral dos problemas causados pelas gaivotas nas cidades e traça linhas de orientação relativamente à procura de respostas para diferentes situações.

Este portal “poderá servir como elo de ligação dos munícipes, associações de moradores, condomínios, etc., com os especialistas envolvidos no projecto, eventualmente com empresas fornecedoras de dispositivos, e com serviços municipais relevantes”.

É através desta página que a população pode também reportar situações problemáticas, uma vez que “são cada vez mais frequentes as reclamações de munícipes e de empresas referentes à população de gaivotas e existem, igualmente, questões de qualidade ambiental e de saúde pública que justificam uma atenção cuidada sobre este problema”.

A amostra

Para elaborar este trabalho, o CIIMAR monitorizou a comunidade de gaivotas nas zonas ribeirinha e costeira de Gaia, Porto e Matosinhos, durante um ano, desde Abril de 2010.

Apesar de terem sido realizados 26 censos parciais à comunidade de aves, os técnicos adiantam que ” as gaivotas distribuem-se de forma dispersa pela quase totalidade da área dos 3 concelhos monitorizados, o que impossibilita a obtenção de estimativas para a totalidade da população que frequenta a zona de estudo”.

O relatório refere que, “embora tenham sido detectadas na zona de estudo 12 espécies distintas de gaivotas, esta comunidade de Larídeos foi claramente dominada por apenas 3 espécies: a Gaivota-de-patas-amarelas (L. cachinnans) a Gaivota-d’asa-escura (L. fuscus) e o Guincho (L. ridibundus).