Utentes pedem a Cavaco que não coopere com governo no dossiê das taxas moderadoras
A comissão de utentes do centro de saúde Barão do Corvo, em Gaia, apelou esta quarta-feira ao Presidente da República para que “não coopere com o governo” nas medidas previstas para o sector da Saúde.
Num documento enviado aos jornalistas, a comissão dos utentes daquele centro de saúde, que abrange as freguesias de Santa Marinha, Canidelo e S. Pedro de Afurada, pede a Cavaco Silva para que “cumpra as suas funções e não coopere de forma tão conivente com o governo” no que se refere, nomeadamente, ao aumento das taxas moderadoras e ao encerramento dos centros de saúde aos fins-de-semana e durante a noite.
“Não somos os únicos a tentar que nos ouça senhor Presidente. Diariamente, muitos portugueses e alguns exercendo cargos bem relevantes e importantes, lhe têm feito tal apelo”, refere a nota, citando o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública, e António Arnaut, considerado o “pai” do Serviço Nacional de Saúde.
A coordenadora daquela comissão de utentes, Rosa Novo, considera que as taxas moderadoras “nada moderam, muito pelo contrário, são proibitivas. O conceito está completamente adulterado e, assim, apenas conduzem os portugueses a ficarem sem Serviço Nacional de Saúde”.
Rosa Novo critica também a redução do horário e encerramento de centros de saúde ao fim-de-semana e durante a noite para cumprimento da obrigação de redução da despesa com trabalho extraordinário, conforme o estipulado pelo Ministério da Saúde.
“Nos ACES de Gaia e Espinho/Gaia já se reduziu desde 10 de Setembro de 2011 o período de abertura dos SASU dos Carvalhos, de Espinho e de Soares dos Reis. Aos fins-de-semana e feriados, o horário é das 9h às 21h, mantendo-se o horário das 20h às 23h nos dias úteis”, disse.
A responsável questiona: “Ao encerrar os centros de saúde, [o Ministério da Saúde] vai mandar os utentes para onde?”.
A posição da comissão de utentes sobre as medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde será também enviada, além de para o Presidente da República, ao Primeiro-ministro, deputados na Assembleia da República e directores dos Agrupamentos dos Centros de Saúde (ACES) de Gaia e Espinho/Gaia, entre outras entidades.










