Um grupo de 50 pessoas, entre trabalhadores da Cerâmica de Valadares e elementos do Sindicato da Indústria Vidreira, concentrou-se esta quinta-feira na BA Vidro para apelar a que o primeiro-ministro intervenha na obtenção de verbas para a empresa.

“Nós viemos aqui ter com o senhor primeiro-ministro para ele desbloquear uma verba para a nossa empresa porque ela tem um pedido à Caixa Geral de Depósitos de 1,5 milhões e, segundo indicações que nos deram junto do Ministério da Economia, essa verba não é dada a nenhuma empresa”, afirmou à Lusa Raul Almeida da comissão de trabalhadores da Cerâmica de Valadares.

Neste momento os trabalhadores da empresa encontram-se com parte do ordenado de Março e a totalidade de Abril em atraso, estando a produção parada por opção, confirmou o administrador António Galvão Lucas, que não quis adiantar mais detalhes sobre a situação da empresa.

“A nossa empresa é viável porque tem vários milhões em encomendas e não há ninguém que empreste um milhão e meio para pôr a empresa a funcionar em pleno porque a empresa está parada”, lamentou Raul Almeida, que disse ter-lhes sido comunicada a possibilidade de um lay-off caso a verba pedida à Caixa Geral de Depósitos não avance.

António Galvão Lucas explicou que teoricamente não há novidades em relação a esse montante, aguardando novidades para breve.

No início de Abril, o PCP e o Bloco de Esquerda questionaram o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, sobre a situação da Cerâmica, com o deputado bloquista, Pedro Filipe Soares, a dizer que “o pecado dos Estaleiros de Viana ou da Cerâmica de Valadares é não quererem comprar acções, é quererem produzir. Se tivessem um nome pomposo e alguns conhecimentos, mais facilmente teriam acesso a financiamento” da Caixa Geral de Depósitos.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, participou esta quinta-feira na comemoração dos 100 anos da BA Vidro, empresa de Avintes, Vila Nova de Gaia, no mesmo dia em que a administração atribui 1.000 euros como “prenda” aos seus trabalhadores pela data assinalada.