Escola da Fontinha Ocupas

Os "okupas" limparam, arranjaram e estavam a dinamizar o espaço. Foto: Arquivo

O movimento Es.Col.A do Alto da Fontinha Espaço Colectivo Autogestionado, que ocupava a antiga escola da Fontinha, foi despejado. Sete elementos do movimento foram detidos pela polícia, segundo disse um deles à Lusa.

Esta terça-feira de manhã, chegaram ao local elementos da polícia, “vestindo coletes amarelos”, e “a Polícia Judiciária” esteve “no local também”, disse a mesma fonte, sem conseguir concretizar se os primeiros eram “da Polícia Municipal ou da PSP”.

Fonte do gabinete de comunicação da PSP disse ao P24 que a acção está a ser coordenada pela Polícia Municipal. A PSP participou na acção com uma equipa de intervenção rápida, acrescentou. O P24 pediu esclarecimentos à Polícia Municipal, através do gabinete de comunicação da câmara, mas ainda não obteve resposta.

Na escola, estavam 2 dos ocupantes (ou “okupas”, conforme são conhecidos os cidadãos que ocupam espaços abandonados para neles organizar actividades) que tentaram explicar aos polícias que, de acordo com a lei, “teriam 90 dias para deixar o local após notificação”, mas as autoridades “não se mostraram disponíveis para falar”.

Em Abril, conforme deu conta o P24, a antiga escola primária,  desactivada há 5 anos, foi ocupada por um grupo de pessoas que a queria “devolver à comunidade”. O movimento tem um blogue oficial e sempre teve um “prazo” para intervir no espaço.

Os 2 elementos do Es.Col.A que se encontravam na Fontinha têm passado a noite no edifício, com outros elementos, para garantir, por um lado, que a escola não era alvo de vandalismo e, por outro, que não lhes fechavam as portas do espaço.

Tema vai à Assembleia Municipal

Os moradores ouvidos pela Agência Lusa manifestaram-se contra a acção da polícia. ”Isto parecia o faroeste. Nunca vi tanta polícia na Fontinha”, desabafava Margarida, enquanto Fátima enchia os pulmões: “Parecia que vinham prender o Bin Laden. Do meu lado era de pistola em punho. É um disparate. Antigamente eram seringa, drogas, tudo e desde que este grupo veio para aqui foi uma limpeza. Tínhamos professores que vinham dar aulas às crianças gratuitamente”.

À Lusa, Johan Dills, voluntário do movimento de Es.Col.A, lamentou a atitude da Câmara do Porto e, apesar de reconhecer a ilegalidade da ocupação do edifício, recordou que ela que visava “devolver o espaço à comunidade”

Fonte da autarquia referiu à agência noticiosa que a câmara está a “desenhar um projecto específico com outras instituições da cidade” para aquele edifício, mas que apenas poderá ser revelado o seu conteúdo assim que estiver tudo delineado.

No local estiveram membros do PS e Bloco de Esquerda. Os socialistas manifestaram a intenção de levar o assunto a discussão na Assembleia Municipal.

Notícia actualizada às 15h38.