Fonte do IGESPAR confirmou esta sexta-feira que esta entidade ”está a averiguar o que se passou com o recheio da capela” do antigo Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e S. José, no Porto, hoje propriedade da Universidade Lusófona.

Segundo uma denúncia publicada pelo jornalista Germano Silva na sua crónica de domingo no Jornal de Notícias, sobre história do Porto, a Universidade Lusófona “vendeu por 8 mil euros, para o estrangeiro, o recheio da capela anexa ao imóvel – altares, talha e imagens”.

A capela, segundo admitiu fonte do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Histórico e Arqueológico, está protegida por se encontrar dentro do perímetro de protecção da área classificada pela Unesco como Património Cultural da Humanidade. Os serviços do instituto no Porto estão a averiguar a alegada venda do interior da capela e já chamaram a si o projecto da Lusófona para transformar aquele espaço num auditório.

Questionada pela agência Lusa sobre o destino dado àquele património, a Universidade Lusófona, através do seu serviço de marketing, informou “que não há qualquer capela nas instalações actuais da Universidade”, mas que houve um “espaço de culto católico”.

Segundo a mesma fonte, “realizaram-se obras de adaptação das instalações da “Casa de Recolhimento” – que incluía o tal espaço de culto – para ensino superior, há muito concluídas”.

Desconhece-se qual a intenção de um projecto para obras que o IGESPAR admite existir, nem o que aconteceu ao recheio da capela que continuava no local, já depois das obras de adaptação do conjunto do edifício ao ensino superior, feitas por Fernando Távora, para a Universidade Moderna, que ocupou o espaço em 1991. A Universidade Lusófona só esclarece que nenhum “objecto, seja de que natureza for, foi vendido a estrangeiros”.

Segundo o texto de Germano Silva, o “conjunto edifício-capela, com o número 17 de referência, entrou na lista dos 95 ‘imóveis de interesse patrimonial’ indicados no documento de candidatura” à classificação da Unesco.

Relação com desastre da Ponte das Barcas

Segundo recorda aquele historiador do Porto, “a fundação do Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e São José, também conhecido por Recolhimento do Postigo do Sol (…) anda ligada a uma das maiores tragédias que alguma vez atingiram o Porto – o desastre da Ponte das Barcas, em 29 de Março de 1809″.

O recolhimento foi fundado por D. Francisca de Paula da Conceição Grelho de Sousa “para nele recolher as muitas raparigas que, em consequência daquela tragédia, haviam perdido os pais e vagueavam pelas ruas da cidade, esfomeadas, descalças e com as vestes esfarrapadas”.