O Centro de Genética Médica Dr. Jacinto Magalhães vai passar a funcionar, a partir de 2013, no Centro Hospitalar do Porto, anunciou o Ministério da Saúde, rejeitando que aquele núcleo venha a ser extinto, como foi divulgado.

“As notícias recentemente veiculadas que referem que o Ministério da Saúde se prepara para extinguir o Centro de Genética Médica Dr. Jacinto Magalhães são falsas e não têm fundamento”, afirma a tutela, em comunicado.

Rui Barros Silva, presidente da APOFEN, lamentou quarta-feira no parlamento a publicação em Diário da República da “extinção do Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães”, integrado no Instituto Ricardo Jorge, sem que tenha sido traçado a estes doentes o seu futuro.

Segundo o decreto-lei que “aprova a orgânica do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge”, aquele centro de genética “mantém-se, transitoriamente, até 31 de Dezembro de 2012, com a natureza de serviço desconcentrado do INSA” (Instituto Ricardo Jorge).

O deputado socialista Manuel Pizarro, presente nessa Comissão, veio posteriormente criticar o facto de o Governo fazer publicar um decreto-lei onde é “sorrateiramente anunciada a extinção até ao final do ano do Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães”, uma estrutura do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) que funciona no Porto há cerca de 30 anos.

Manuel Pizarro disse temer que, com esta norma transitória, se esteja “a projectar o desaparecimento do Centro de Genética no Porto” e classificou como “lamentável” a falta de diálogo do Governo com as associações de doentes e com os profissionais

O Ministério da Saúde vem agora esclarecer que a extinção não está em causa e anunciar que, a partir daquela data, o centro de genética “será integrado no Centro Hospitalar do Porto, passando este a assegurar a realização dos testes genéticos, bem como toda a actividade clínica até agora exercida pelo referido centro”.

Esta possibilidade já tinha sido aventada pelo presidente da APOFEN, uma vez que já existe um protocolo de colaboração com o Hospital Maria Pia (integrado no Centro Hospitalar do Porto).

Contudo, o responsável receia as consequências que esta decisão pode acarretar para os doentes e que considera serem de “enorme risco”, pois há uma série de procedimentos fundamentais que só quem trabalha com estas doenças raras e conhece a história clínica do doente os pode efetuar de imediato.