O hospital-escola de Gondomar vai ser inaugurado em Setembro e resulta de um investimento de 50 milhões de euros da Universidade Fernando Pessoa (UFP) que criará um cartão de saúde especial para a população local.

“Estamos a finalizar a criação de um cartão de saúde para a população de Gondomar, em condições altamente privilegiadas para que possa aceder aos cuidados de saúde do hospital em condições praticamente iguais àquelas em que acede no Serviço Nacional de Saúde”, assegurou o reitor da UFP, Salvato Trigo.

O projecto era antigo mas há 20 meses começou a ganhar forma nos terrenos de Gondomar onde estão já erguidos os 7 pisos (2 subterrâneos) do empreendimento de mais de 5.600 metros quadrados que não quer ser mais um hospital privado do país mas uma unidade de saúde com uma lógica de atendimento “pedagógica e não comercial”.

“Significa cuidados de saúde em que as pessoas tenham tempo para serem ouvidas, e consultadas”, explicou o reitor, que assim pretende “humanizar o sistema”.

Na procura do melhor local para implantar a unidade de saúde e ensino, a escolha recaiu em Gondomar não só por estar referenciada na última carta hospitalar como “local a receber investimento” para criação de um hospital, mas também por ter sido a que “melhor respondeu às necessidades” da universidade.

A Fernando Pessoa ainda chegou a apresentar ao Governo anterior uma proposta de parceria “privada-pública”, e “sem risco para o Estado”, a fim de que “os pacientes da área de Gondomar pudessem usar essa unidade nas mesmíssimas condições, quer de custos quer de acessibilidade, com que utilizam as instituições pertencentes à rede pública”.

Porém, “o Governo caiu e nada disso veio a acontecer”, lamentou o reitor, garantindo que o “hospital está pronto, vai ser inaugurado em Setembro e funcionará como um hospital-escola, procurando prestar cuidados de saúde às populações”, pelo que haverá uma “discriminação positiva” dos cidadãos de Gondomar.

Com um total de 200 camas, 60 das quais afectas a uma unidade de cuidados continuados integrada na rede nacional, o hospital-escola UFP “terá todas as valências médicas e cirúrgicas”, à exceção de cirurgia cardiotorácica e neurológica, e apresentará a capacidade para acolher “180 alunos em simultâneo”.

“Teremos também um centro de ensaios clínicos para investigação e um centro de anatomia e cirurgia experimental para formação de cirurgiões”, para além de “3 casas de parto”, assinalou.

Actualmente estão a decorrer os concursos para os cerca de 200 postos de trabalho disponíveis numa fase inicial (serão 400 no total), sendo privilegiados os médicos jovens e ex-alunos da universidade.

O equipamento, desenhado também por ex-alunos, “é um edifício inteligente, sustentável” e que “utiliza energia solar através de painéis”, estando já preparado para o dia em que – “quando o país for normal e deixar de ser governado por corporações e lobbies” – seja dada autorização à UFP para leccionar o curso de medicina.