Orfeão pondera recorrer aos tribunais e exige posição da Reitoria

Queima das Fitas começou mal. Foto: YouTube
O Orfeão Universitário do Porto (OUP) pondera recorrer aos tribunais para “obter justiça” face aos incidentes, que envolveram agressões e fizeram um ferido, ocorridos no último sábado, na noite da Monumental Serenata que abre tradicionalmente a Queima das Fitas portuense.
Numa carta aberta à comunidade académica, divulgada esta terça-feira no seu site, o OUP declara que o Grupo de Fado Académico da Universidade do Porto (parte do Orfeão), “depois de ter sido convidado, de ter realizado ensaios e testes de som em palco foi, sem que nada o fizesse prever, impedido de chegar a palco e de actuar na Monumental Serenata do Porto”.
“Mais grave ainda, viu os membros serem violentamente agredidos por elementos do Conselho de Veteranos, facto lamentável entretanto tornado público por espectadores e elementos dos média”, refere o texto.
Na carta aberta, o OUP indica que vai “estudar todos os enquadramentos legais possíveis, procurando obter justiça em sede própria relativamente às graves ofensas à integridade física e moral dos seus elementos”.
O Orfeão quer também uma “posição clara” e “com carácter de urgência” da Reitoria da Universidade do Porto, dos responsáveis das faculdades e da Federação Académica do Porto (com quem cessará o diálogo enquanto o interlocutor para organização de eventos da Queima for o Conselho de Veteranos), relativamente “à prossecução e concretização de qualquer ou determinado fim, pelo uso desmesurado da praxe, da intimidação e da violência”.
“O OUP repudia veementemente os factos apresentados, não se identificando a qualquer título com este tipo de grupos ou condutas marginais. Não obstante, o OUP apresentar-se-á, com o brio, elevação académica e artística que sempre foi seu apanágio”, acrescenta a instituição centenária.
Novo episódio
Segundo o Orfeão, a tensão não se ficou pela noite da Serenata. Na madrugada desta terça-feira, “o OUP foi importunado pelo grupo ‘Conselho de Veteranos’ à porta da sua sede, numa clara e manifesta acção de intimidação. O OUP tem vindo a ser constante e reiteradamente ameaçado pelo grupo ‘Conselho de Veteranos’”.
Por repetidas vezes, por telemóvel e email, o P24 tentou falar com o presidente do OUP, que não respondeu aos nossos contactos.
Ao P24, segunda-feira, o responsável máximo do Conselho de Veteranos, Américo Martins, desvalorizou os incidentes.











O dito Dux Américo “desvalorizou”. Quer, agora, ignorar que um organismo de grande tradição na Universidade do Porto, foi provocado e intimidado? Pode um organismo com a história do OUP estar sujeito à intromissão desta pessoa e seus correlegionários? Algo tem de mudar!
Mais um título tendencioso…
“Violência na Serenata” – e “Violência à Porta da Sede do OUP”?…
Aqui há todo o cuidado em frisar “segundo o OUP”. Na peça sobre a serenata, as elocubrações do Sr. Veterano são dadas como factos assentes. Não há “parece que…”, “segundo ele…”, etc. Não: ali, basta a palavra do Sr., aqui, a palavra do Presidente eleito de uma unidade orgânica da Reitoria da Universidade do Porto e de um grupo artístico centenário não são garantias suficientes, sendo tratadas a simples “a sua versão dos factos” e “Segundo…”
Passa-se, então, que, para o P24 aquilo que o Sr. Américo disse é a realidade dos factos. Aquilo que o Presidente do OUP diz não passa de uma versão…
Como isenção jornalística, é do melhor que tenho visto.
O facto de uma das partes envolvidas não prestar declarações não implica que o que a outra diz é verdade.
Mas, para o P24, assim é.
Parabéns, mais uma vez: como pedagogia do que é o mau jornalismo, dificilmente se poderia pedir melhor.
Já agora:
o Presidente do OUP conhece o número de telemóvel do P24?
Já experimentaram deslocar-se pessoalmente à sede do OUP para recolher um depoimento?
A morada está no site deles.
O que esta pessoa disse!