O fim de um ciclo e o início de outro, mais incerto

Foto: Maria João Brum
A baixa do Porto foi novamente inundada de cor e regada a cerveja, no dia em que milhares de estudantes desfilam até à Avenida dos Aliados, na celebração do fim de mais um ano lectivo.
O cortejo académico do Porto termina em frente à Câmara, como é tradição, e é liderado pelos alunos de Medicina, Ciências e Engenharia, que entre carros alegóricos e milhares de espectadores, celebram o fim de um ciclo e o início de outro.
“Eu gostava de ter perspectivas melhores”, diz Bruno Reis, finalista de Medicina, que, entre persistentes bengaladas de colegas, consegue garantir que “a crise chegou a Medicina”, restando-lhe, portanto, “ver no que isto dá”, até porque “emigrar é uma opção”, visto que “até o primeiro-ministro sugere essa alternativa”.
Já Celso Massamá, aluno de Bioquímica, com 19 anos, acredita que a qualidade do curso que está a tirar poderá garantir um lugar no mercado de trabalho, “apesar do panorama geral no país estar um bocadinho mau”.
Para Eduardo Pinto, finalista na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), “foi difícil estudar com perspectivas profissionais tão más”. A boa saída profissional do curso de Engenharia Informática será apenas “um reflexo do muito trabalho” que o curso implica, disse.
Também Rita Pereira, com 23 anos e finalista de Ciências Farmacêuticas, admite que “está difícil arranjar emprego” e que, “a avaliar pelos [alunos] do ano passado”, não será fácil trabalhar na área, pelo que não descarta a hipótese de emigrar para exercer a profissão para que estudou.
Entre lágrimas de felicidade, abraços de familiares e bengaladas em todas as cartolas, o Cortejo Académico seguiu rumo à Câmara, num dia que termina no Queimódromo do Porto, com as actuações de Quim Barreiros e dos comediantes Quim Roscas e Zeca Estacionâncio.










